Monthly Archives: March 2009

Frases do dia

Deixe de abuso, geladeira abusada!

uma geladeira abusada
Maria, reclamando que o eletrodoméstico do frio continuava apitando para indicar porta aberta. Um minutinho a mais para terminar de guardar as compras não ia atrapalhar, vai. É tipo aquela galera que buzina logo que o sinal abre. (foto)

Hoje eu durmo no colchão, você dorme no colchão
Vó Diris, em seu momento Ary Toledo. A cama da minha vó foi pro conserto. Sendo, assim, vai ter que dormir com o colchão no chão, o que eu tenho feito nos últimos tempos. Como ela roubou meu quarto, se divertiu com a ideia de perder a cama. Fazer piadas com você mesmo. Boa, vó.

“How long does it take to get there?”
Meu pai e sua frase preferida do inglês. Perceba a sonoridade do dozitaique.

Fui o homem do jogo
Meu irmão, na modesta avaliação da sua participação no jogo de futsal.

Todas as gerações dão risada da moda antiga, mas seguem religiosamente a moda atual
Minha cartomante do orkut.

sorte

– a seção frase do dia é uma mentira, uma vez que se refere ao dia de ontem –

Palitos pra que te quero

O blog da Fernanda Guimarães tem uma mini-sessão muito genial, a Soy Contra, que sempre tem uma fotinho irreverente com o tema. Há um tempo atrás teve uma sequência de “estragadores de pratos”, tipo pimenta-rosa e alecrim. Sei lá, discordo dos dois, afinal pimenta é sempre genial e alecrim, embora forte, tem um gosto peculiar e delicioso, mas ok. 

A questão é os estregadores de pratos. Eu já fui muito fresco para comida. Não comia cebola nem tomate, dois ingredientes muito essenciais em pratos igualmente essenciais. Por sorte ou por influência aprendi a apreciar os dois. Agora como até cebola crua, veja só a evolução da pessoa. 

Logo, poucas coisas me dão repulsa em um prato, característica essa que devo ter pego do meu pai, ser que come até pedra eu acho, só colocando um molhinho por cima e uma fruta pra acompanhar. 

Mas nada me deixa mais triste do que os malditos pratos que contém palitos-de-dente. É isso ai. 

 

Gina, você é legal, mas não pra se comer, foi mal!

Gina, você é legal, mas não pra se comer, foi mal!

Perdi a conta de quantas vezes mordi comida pra quase ter a boca perfurada pelos “palitos roliços”, praticamente armar mortais disfarçados de … nada. Porque nem disfarçados eles são. São farpas perigosamente afiadas vendidas como farpas perigosamente afiadas, simples assim! Detesto palito de dente até pra palitar os dentes. Se quer ser higiênico usa fio-dental, sério.

Mas enfim, o frango recheado da mãe estava delicioso, mas o prazer se vai a partir do momento que perco tempo retirando os malditos palitos. É a mesma coisa quando tem bife-a-rolê. 

Não é possível que em pleno século XXI ainda se use palitos-de-dente-do-mal pra se prender comida. E vou além, se a comida não dá pra ser feita sem usar essas paradas que não se come, que tal não ir contra a natureza? Faça um simples bife (sem o rolê) e um frango com queijo/rúcula/tomate-seco por cima ou do lado ou embaixo (menos dentro).

Taí, F. Guimarães. F. Garrido diz: o maior estragador de pratos é o palito-de-dente. Soy contra.

Texto: F. Garrido

Ao som de Continuum (John Mayer)

Highway of hell

Trânsito é uma grande e enorme merda. Mas é algo com o qual a grande maioria de nós está acostumada, eu acho. Particularmente o que me fode a vida é morar longe do lugar de trabalho.

Quando o horário de expediente é camarada, beleza. Sair de casa depois das 10h nem é tão foda assim, embora mesmo assim 50 minutos é o tempo mínimo que o trajeto ZL-ZO demora num dia de semana sem chuvas ou mortes nas ruas.

Fazia tempo que não saía de casa antes das 8h da manhã e pude relembrar do verdadeiro martírio que é esse horário do inferno. Mas esse post não versará sobre o caos no trânsito, nem sobre as pessoas que não dão seta, nem sobre as multas, mas sim sobre o tempo dentro do seu carro/moto/ônibus/bicicleta/pogobol e o que pode ser feito para não se matar no próximo poste de luz que encontrar pela sua frente.

Logo quando tirei a carta para dirigir, a emoção de ter as mãos no volante e tudo o mais acabava suprimindo o inferno do trânsito. Tudo era uma beleza “porque agora eu sou motorizado”, pensava ingenuamente. Mal tinha eu me realizado que a insatisfação nos domina muito mais rapidamente do que pensamos.

Logo veio o stress. Ler coisas, tipo livros e jornais não rolou. Rádio não rolou. A próxima solução foi arranjar um jeito que toda a minha biblioteca musical estivesse sempre ao meu lado, para que assim as horas de tédio fossem preenchidas com algo legal. Dois iPods e quase 100 GB de música depois estou sempre no mesmo lugar. Pensando que deveria ter saído mais tarde e blablabla.

A verdade é que o melhor remédio pra isso são as companhias. O bate-papo no carro sempre suprime as coisas chatas, mas não temos tudo o que queremos 100% do tempo nessa Terra, portanto a única coisa a fazer é criar jogos mentais, para te entreter, mesmo que pareça um idiota os fazendo.

Aposte corrida contra você mesmo. Qual o problema? Se você bater seu próprio recorde ainda ficará feliz! Ou então contra aquele idiota do Audi A3 batido que te cortou na saída da Radial Leste. Ou siga (até onde o seu caminho lhe permitir) algum(a) moço(a) que te agrade, mesmo sabendo que nada vai acontecer (se bem que isso pode acontecer, mas daí é outra história).

A minha distração de ontem foi “seguir” uma business girl, de terninho e óculos escuros, que pilotava um tosco possante Classe A azul. Não era qualquer azul, era tipo azul 100% azul, daqueles que você pensa “ela só pode ter ganhado esse carro pra andar com ele”. Mas isso não importa. A distração funcionou.

Desde a Radial até a Heitor Penteado era o Classe A azul e o Fox preto contra o mundo.

Ela ficou pra trás depois. Ou parou no seu destino final. E eu nunca mais a verei, mas mesmo assim, valeu moça! Keep rollin’ !

Texto: F. Garrido

Ao som de Ladyhawke (Ladyhawke)

Acordar é mó difícil

dormindobanco

Eu tenho muito pra falar do sono. Talvez até devesse dar uma passada naqueles institutos que te enchem de eletrodos e te oferecem uma cama macia para análise – ronco com desculpa médica. Como em “entre tapas e beijos”, fico naquela de que seria muito legal passar a vida dormindo, assim como não reclamaria nem um pouco se não precisássemos ficar lá não sei quantas horas de olhos fechados. Ambas resolveriam meus conflitos.

– pausa pra alertar dos problemas de escrever sobre o sono: são tantos fatores envolvidos, que possivelmente jogarei ideias que vou lembrando. Na agonia de saber por onde começar e pra onde ir, vejo que o sono é mó brother mesmo e uma dr via instituto dos eletrodos e das camas macias poderia ser uma boa. Existe psicólogo de sono? E sinônimo?

Highlights: dormi no quartinho transformado em estúdio de ensaio numa antiga casa enquanto meu irmão fritava o John Bonham na sua bateria cor de vinho. Como esquecer daquele outro dia em que sai andando sonâmbulo pelo corredor, abri umas portas e armário e balbuciei umas palavras antes de deitar de novo? Ou aquele outro quando tentei abrir a janela, num ataque de calor noturno? Dormir falando ao telefone e ainda inventar uma desculpa idiota pra fingir que não – tô aqui olhando pro teto (tá dormindo, malandro, admite). E acordar perguntando perguntando “qual é o tom”. Ir com um tênis de cada cor pra escola também é boa.

Teve um tempo que dormir cedo era o difícil. Minha mãe me chutava às 6h30 da manhã pra ir pra escola e pronto.  Nada que um banho em estado zumbi e uma hora de mau humor não resolvessem. Ter que deitar logo quando o dia parecia mais produtivo era osso. Gostava de ter a casa silenciosa e escura, dos rangos noturnos, do computador sorrindo pra mim e do violão velho (e do sono pesado de toda a minha família, que não se incomodava com o barulho). A soneca pós video show equilibrava eventual déficit.

Agora que 8h já é madrugada e não tenho que acordar muito cedo pra nada, o problema virou – não consigo acordar cedo pra nada. E por cedo, entenda o período da manhã. O mais engraçado é o idiota aqui enganando o idiota aqui. Amanhã tenho que levantar às 10h. Passo na academia, ligo pro cara do computador, separo as roupas velhas do armário. Programo despertador pras 9h, uma hora antes do necessário, afinal, abrir os olhos e levantar é uma atitude heroica demais. E dá-lhe snooze. A partir do TRIM TRIM TRIM entro no estado de consciência 2, quando sei que preciso acordar, acho que já tô acordado, repenso a “agenda”, chego à conclusão que dá pra dormir um pouco mais e já era. E imagine isso como um ciclo que se repete continuamente e randomicamente. E diariamente. Levanto meio dia, me sentindo um idiota porque fui enganado de novo e jurando que vai ser diferente. Até por birra do “eu tenho que conseguir”.

é osso

Parágrafo inteiro pode ser dedicado às formas de (tentar) driblar minha extrema dificuldade de sair da cama. A nova é a combinação de celular, o barulho mais irritante possível, com aqueles despertadores velhos com dois sininhos, programado para a hora limite (não tem snooze), eventualmente acompanhados do recado na geladeira: me acordem às 10h. Sou profissa, converso, respondo que já tô acordado. Zeca Pagodinho pode ter umas aulas de malandragem comigo. Antes que alguém diga, aliás, não adianta colocar o produtor do barulho infernal longe da cama. Afinal, qual é o problema em levantar, desligar a parada e voltar pro aconchego do manjericão – o colchão e o travesseiro na posição perfeita? Tv que liga sozinha no último volume também dá uma força. Nada funcionou tão bem, ainda tô em busca do melhor esquema.

– mini irritando fernanda young: acordar com cócegas ou com gente puxando as cobertas.

Já falei que a claridade não incomoda? E que 14 horas de sono não impossibilitam outras 12, separadas por 8? ou 6? O negócio aqui é outro nível.

A tática de hoje mudou. Já sei que não vou acordar muito cedo amanhã (são 4h31). Só estou me convecendo de que usar esse tempo da madrugada já me livra o peso na consciência por ter dormido a manhã toda. Sacada de gênio. Você faz exatamente o que faz todos os dias, mas dessa vez tem a certeza de que virou um ser humano melhor.

Acho que não vai dar certo.

Dúvida filosófica barata

Sabe quando você fala que não liga pra o que as outras pessoas falam de você e tal? Acho que todo mundo já falou isso uma vez ou outra na vida. Eu sei que eu já falei. E em muitos casos é verdade. 

Uma certa vez o pseudo-hippie-sujo-mongo da classe da faculdade se referiu a mim como “aquele japonês que só ocupa espaço” ou algo do tipo. Esse tipo de comentário de fato não modifica muito na minha vida, afinal, vindo de pessoas idiotas tudo é irrelevante, embora as vezes a introspectividade seja confundida com falta de alguma coisa, que eu juro não saber o que é. 

Mas isso porque não é sempre que no mesmo dia uma pessoa tem uma boa impressão na primeira vez que você a conhece e outro alguém te chama de individualista. 

Não, não estou bichinha triste nem sentimental (embora esse possa ser o GC da minha vida, segundo alguns), mas só fui dormir com a cabeça no travesseiro e esses pensamentos opostos me martelando. Eu talvez não devesse ligar muito pra isso, seja bem ou seja mal, mas sei lá. É um tipo de abstração difícil de se fazer, não? Tipo se desligar do mundo e tal. 

A questão toda é que a primeira impressão desse escrevendo aqui geralmente nunca é muito das melhores. Antipático, antisocial, arrogante e quieto são alguns dos adjetivos com os quais já tive que me acostumar. Por isso a surpresa, ótima por sinal, de ser considerado uma pessoa boa e legal na primeira das impressões. Será que estou no caminho de me tornar um ser humano melhor?

Não sei mais, já que logo depois veio o “ah, éfe, você é individualista demais! rá!”… Poxa, que merda. Então quer dizer que eu tenho as coisas pré-decididas na minha mente e eu omito isso na hora de comunicar a todos? Isso não me soa nada legal. 

Se as duas coisas (a boa primeira impressão e o individualismo jogado na cara) não tivessem vindo de pessoas geniais provavelmente eu não ligaria mesmo, tipo o pseudo-hippie, mas admito que tento processar essas paradas. E o processamento é devagar. Devagar e sempre, como tudo nessa vida. 

A questão final: posso ser uma boa pessoa sendo individualista? Oh fuck…

GC da vida?

GC da vida?

Texto: F. Garrido

Ao som de Cozido (Hurtmold)

 

 

Tubinhos brilhantes

Sou péssimo pra conhecer pessoas novas. Sou péssimo para puxar conversa com pessoas que eu desconheço, nunca sei o que dizer ou o que fazer. Em poucas oportunidades eu consegui de fato levar uma relação normal com pessoas nunca antes vistas.

Ontem eu pensei nisso ao ficar vendo uma garota no show do Radiohead. Tinha acabado o show dos “alemões/russos” do Kraftwerk e o palco deles tava sendo desmontado. Desde o sempre as paradas luminosas geniais do palco do Radiohead já estavam a vista no palco, colocadas de lado, esperando o momento pra serem colocadas no seu respectivo lugar.

Eu olhei pra essa pessoa e ela estava com os olhos fixos no palco, esperando alguma coisa acontecer que indicasse menos tempo pra Radiohead entrar. Qualquer coisa. Olhos marejados através dos óculos estilosos e sua blusa listrada.

Não bastassem seus olhos fixos, eles estavam marejados. E ela comia as unhas compulsivamente.

Eu queria ter a coragem de ir falar com ela, não por qualquer outro motivo a não ser a minha curiosidade em conhecer melhor a pessoa mais emocionada do show do Radiohead. Pelo menos a mais emocionada que eu consegui prestar atenção.

Claro que eu não fui lá e depois, procurando por um lugar melhor pra assistir o show, acabei a perdendo de vista. Espero de verdade que ela tenha conseguido ver o Thom Yorke dançando do seu jeito muito louco, assistido a parada audiovisual incrivelmente genial e que tenha curtido o show.

Texto: F. Garrido

Ao som de Minimum Maximum (Kraftwerk)

Ibuprofeno?

Ontem fiz uma visita surpresa no meio da madrugada ao hospital próximo de casa. Que ambiente legal, sempre com aquele ar asséptico porém sujo, aquela hospitalidade/hostilidade dos funcionários que têm que fazer aquele turno louco. Como não era eu o doente em questão fiquei a pensar sobre o assunto (enquanto eu observava uma mulher imitando pra atendente aqueles movimentos dos ab-shapers da vida, a venda na polishop ou coisa do tipo).

Tirando as crises que bebês seres humanos aparentemente sempre têm, eu não me lembro de ter ido ao hospital com alguma enfermidade grave, a não ser a vez em que eu tive ataque de alucinações. 

Sim, alucinações. Sem drogas nem nenhum trauma como causa. Apenas uma crise de alucinação. 

É uma sensação estranha, eu devo admitir. A parada foi que eu estava na minha cama olhando para a parede, esperando o sono vir, quando de repente, buracos enormes começaram a tomar conta da dita parede. Óbvio que meu instinto foi o de tapar os buracos com bolas imaginárias criadas nas minhas mãos. 

Mas era impossível tapar todos eles. Logo a defesa seguinte foi… ir pro banho. Mas não sem antes forrar todo o chão do banheiro com jornal. Quando minha mãe entrou no banheiro e viu o chão forrado pelo que agora era um grande e enorme monte de jornal molhado eu deveria ter dito “opless”. Mas eu acho que eu não disse nada. 

Hospital here we go. Exames pra cá, exames pra lá e nada de errado. Conclusão do médico de plantão: Não deve ser nada. Leva ele pra casa e dá alguma coisa pra ele comer. Um lanche ou coisa assim. 

E foi assim que eu comi os dois melhores hambúrgueres da minha vida, preparados pelo meu pai no meio da madrugada. Hambúrgueres esses que curaram para sempre as minhas alucinações. 

Ontem, depois de raio-x, remédio na veia e inalação alheias, fiquei pensando que tudo seria infinitamente mais simples se na receita do médico, ao invés de quase 200 reais em medicamentos só estivesse escrito:

letrademedico

E já que estamos nisso, porque letra de médico parece sempre meticulosamente treinada para ser ilegível e escrota? 

Texto: F. Garrido

Ao som de It’s Blitz! (Yeah Yeah Yeahs)