Monthly Archives: September 2009

Aquele post sobre morte e religião … mas sem religião dessa vez

Pessoas tem medo de tudo. Uns de cachorros, outros de avião, outros de iorgurte e alguns de espíritos. Quando era menor eu era medroso, tinha medo de pular a cerca do meu prédio, que tinha aquelas lanças pontiagudas. Um amigo tinha uma cicatriz enorme na barriga por ter pulado errado a parada e tinha ficado preso na maldita lança do mal. Então a lembrança da cicatriz me botava medo.

Ok, depois aprendi que tinha que ser muito burro pra ficar preso na grade e que com cuidado era muito sussa pular a tal cerca. Foi um grito de liberdade o pulo da cerca, mesmo que fosse infinitamente mais fácil andar 20 metros pro lado e sair do prédio pelo portão de pedestres, como qualquer ser inteligente faria.

Mas enfim… nunca fiquei preso, minha barriga não tem cicatriz nenhuma e o medo de lanças se foi. Mas um dos medos que nunca se vai é o de desconhecer o fim disso aqui. Não do post, nem do blog, mas disso aqui tudo. Tudo isso que é conhecido como F. Garrido.

Eu antes falava que eu tinha medo de morrer, mas pensando melhor sobre o assunto, não sei se é a melhor forma de explicar essa parada. Não tenho medo exatamente de morrer agora, daqui cinco minutos ou amanhã ou daqui a 60 anos. Não tenho medo de morrer queimado, afogado, com um tiro ou coisas do tipo (embora todas essas alternativas se enquadrem no time das coisas desagradáveis), mas me angustia pensar que ok, morri e acabou e só.

Não me refiro a querer fazer algo que deixe um legado por aqui, ser famoso para que se lembrem de mim nem nada disso. É mais uma parada egoísta mesmo. Não queria só morrer e pronto. Tipo tudo o que eu vivi se vai a partir do momento que eu morro? Poxa, Universo, not nice esse seu desfecho, hein? Se eu pudesse escolher, queria que quando morresse pudesse ficar lembrando das coisas. O que me dá medo é isso: vivemos um monte de coisas aqui para simplesmente esquecer depois. A morte, me parece, é tipo um Alzheimer anunciado. E como todos podemos imaginar, Alzheimer não é nada legal, anunciado ou não.

Texto: F. Garrido

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o cara manja

-tô escrevendo um post lá pro blog.

Legal, efe, tá mó parado.

-É sobre morte e religião.

uau, boa, efe.

Sugestões para outros posts:
– O possível meio termo no oriente médio.
– A questão do pré-sal passada a limpo
– As merendas do Kassab
– Aborto, uma questão de saúde pública?

aguardem

(o compromisso existe. mas pode ser que agora ele fique ofendido e desista de escrever)

Belo dia para comer tortas

“Belo dia para comer tortas” pensei um pouco antes de sair do trabalho. Chovia muito. O mundo brincava de imitar o clipe de No Surprises e ia enchendo aos poucos. Um alagamento na marginal, carros boiando, árvores caindo…. belo dia para comer tortas. Mudei de ideia. Virou um belo dia para comer no McDonalds. E o raciocínio foi simples: as tortas viraram cinema, o horário da sessão obrigou um lanche rápido, pronto, McDonalds. Como diria o Efe (e o Evandro Mesquita) “ok, você venceu, batatas fritas”.

Cheguei no Mc e dei de cara com um cronômetro regressivo: se não entregarmos seu pedido em 60 segundos, você ganha um Big Mac. Em cima, um botão vermelho, estilo passa ou repassa. Já vi que seria divertido, espírito de competição é o que liga. “vai, pede alguma coisa que eles não têm pronto” Não, maldade demais, vou ver o que tô com vontade. Bacon, isso, me vê esse de bacon! Posso apertar o botão? Não, calma, eu preciso registrar o pedido. Sua senha. Pronto, pode apertar. E aí faltou o Gugu aparecer atrás do balcão e mandar o valenduuuuuu.

60, 59, 58….

correria

Deu pra ver que o bacon foi a pedida certa. Ou errada.

55, 46, 34… caras de desespero

É, não vai dar. Como assim? Ainda faltam 30 segundos! É, mas não vai dar.

Foi levar na ponta dos dedos, como diria Galvão, até o cronômetro zerar e emitir a sirene da vitória.

Iuhuuu. Vem, Vem, Vem, Big Mac, Vem! Toma essa, McDonalds, eu te deixei em ruínas, cara. A máquina do capitalismo estava agonizando à minha frente.

Foi quando percebi que minha dancinha de comemoração parecia inapropriada. Não eram os arcos dourados que definhavam, era a atendente, triste por perder a competiçãozinha escrota contra o relógio. Pior que isso, tava na cara que a culpa era da cozinha, não dela. Fiquei mais sério. Ela e sua ajudante preparavam o resto do lanche e separavam o Big Mac de prêmio. Fiz umas piadinhas, mas tava na cara que aquilo não era tão legal.

Pobres atendentes do McDonalds, que precisam vestir boné, camisa, calça, cinto E tênis de uniforme. Que têm que ficar naquele calor e receber clientes devolvendo suas cocas “com gosto horrível, que não dá nem pra tomar”. E que sentem aquele cheiro bom o dia todo, até ficar insuportável. Agora eles ainda devem encarar essa brincadeirinha estilo passa ou repassa. Que fase, amigo. E eu ainda comemorei o Big Mac. Rá, funcionária ineficiente, perdeu! O próximo desafio vai envolver cuspe na cara dos funcionários, tenho certeza.

E eu saio feliz da vida porque, graças à falta de competência, ganhei um lanche. de grátis.

E ela fica lá, se lamentando. Tentando ser melhor pro próximo cliente.

Amando muito tudo isso.