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E eles dizem: fala alguma coisa!

Arrumação de quarto é sempre um tempo de redescobrir, não? 5 sacos de lixo em mãos, subi na escada, tirei todas as caixas e sacolas de cima do armário, aquele limbo onde jogo tudo que não estou usando no momento e sempre acho que vou arrumar “semana que vem”. Encontrei coisas de 3 anos atrás? Não vou mentir.

Máquina fotográfica pra cá, sacos de areia pra lá (sim, sacos de areia… não faço nada relacionado com areia, mas estava lá), me deparo com uma grande caixa cheia de cartas. Cartas, cara. Escritas a mão e tudo o mais. A nostalgia bateu e peguei umas pra reler. Eram cartas de sei lá, da 8ª série ou do 1º colegial. Ou seja, lá se vão 8 ou 9 anos nisso ai. Não parecia tanto tempo assim.

Peguei uma de uma amiga que tinha acabado de entrar no colégio, a gente tava ainda naquele período de se conhecer e tal. O curioso é que ela escrevia: “poxa, cara, eu sei que você me falou pra eu não me preocupar com você quando está quieto e cabisbaixo, que é só você do jeito que é e tal, mas acho que isso não te faz bem…”.

Ri sozinho por um tempo, sentado de pijama no meu quarto em meio a uma infinidade de lixo e papel. Não lembrava dessas paradas. Eu sempre fui o cara que fica quieto pensando sozinho, mas não lembrava de isso ser notado com tanta frequência e desde sempre.

Numa análise crítica da minha pessoa (com a ajuda do “viro-o-Freud-quando-fico-bêbado” Lucas Fiacadori), ficar quieto poderia ser uma manifestação de querer chamar atenção. Quietas algumas pessoas chamam mais atenção do que falando. Isso de fato é possível de ocorrer, mas não concordo que seja uma coisa racional, do tipo “vou ficar sem falar nada só pra ver no que rola”. Os fluxos de pensamento pra mim não rolam em um multitasking corrido, foi mal. Quieto consigo pensar e entender as coisas com mais clareza. Só que o meu quieto é sem falar uma palavra.

Muitas pessoas confundem isso com braveza ou mágoa ou qualquer outra coisa, mas não, é só eu pensando no mundo ou tentando ligar os pontos das relações.

A questão disso tudo é que as pessoas ao meu redor são falantes por natureza, então geralmente eu sou o alvo das perguntas “mas está tudo bem?” ou “o que você tem?”. Num meio de pessoas loucas por falar, o quieto serei sempre eu, mesmo que eu esteja nos meus dias falantes, que são poucos, por sinal.

A nova situação do momento é estar do outro lado dessa parada, não ser o que fica calado. Sentar em uma mesa e não ser o único que não fala nada porque está pensando ou tentando ligar os milhares de possíveis pontos formadores das milhares de possíveis imagens naquela situação em particular.

É curioso de certa forma. Entendo um pouco agora as pessoas que perguntam se estou bravo ou magoado. Mas entendo muito mais que o silêncio se faz mais necessário que o falar. Simples assim.

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nada não…

Rir é um assunto recorrente por aqui. Embora seja geralmente o cara quieto e reservado que raramente exterioriza as paradas internas, vou deixar isso de lado e dizer que poucas coisas me fazem pensar e refletir tanto sobre alguma relação quanto as risadas.

Se fazer rir é difícil e uma meta sempre a ser alcançada na minha relação com as outras pessoas, me fazer rir é ainda mais difícil. Não porque eu seja exigente nem nada do tipo, mas que não existem tantas coisas realmente engraçadas por ai. Senso de humor peculiar é uma característica que atrai tanto quanto repele. Não é todo mundo que vai rir daquela minha piada com a menina estranha da faculdade, assim como não serei eu que vou rir da sua piada do português, do americano e do japonês no avião, foi mal, isso é só idiota.

Rá! Eu riria dessa frase, se alguém a falasse na minha frente pra você.

Mas enfim, eu gosto das pessoas que estão a minha volta porque elas me fazem rir. É tipo um pré-requisito. Sim, de certa forma, isso é uma maneira egoísta e mini arrogante de ver as pessoas, o mundo e as relações, mas todos somos assim em algum nível, não? A tentativa de baixar esses “parâmetros de qualidade” pode ser algo bom em um futuro próximo, em um futuro mais maduro, mais bem resolvido (e espero, ainda bem-humorado), mas por enquanto, enquanto esse futuro é somente um futuro e não um presente, eu continuo a usar esses filtros. E eles funcionam.

E é bom quando as risadas não são só minhas. Risadas simultâneas, cara. Melhor que rir sozinho ou fazer outro rir é dar risada com alguém. É reconfortante. Rir e ver alguém rindo junto é tipo um guilty pleasure no sentido que sempre me lembra propagandas felizes, com pessoas felizes em momentos felizes. E aquele mini momento é a coisa mais efêmera do mundo talvez mas eu curto as mini alegrias dos dias.

E essas paradas eu acabo lembrando em vários momentos, cuja consequência é um sorriso, que muitas vezes saem em momentos nada propícios, que por sua vez, levam a sempre insistente pergunta “o que foi?”. Cuja resposta, na minha maneira calada de ser, invariavelmente é o bom e velho “nada não”.

E daí eu sorrio de novo. Geralmente pensando naquela risada simultânea.

Mensagem enviada

Perdi as contas de quantos celulares eu tive. E perdi a conta de quantos tipos diferentes de contas eu tive. Pré-pago e pós-pago. No começo, na época de colégio, eu queria ter um celular sei lá porque, afinal eu nem tinha muitas pessoas em volta, não precisava de contatos pra merda nenhuma e as únicas pessoas que me ligavam eram as da minha casa.

Mas eu queria ter o maldito celular, porque eu queria falar. O que? Não sei, mas eu falava.

O tempo passou e eu mantive o costume de falar no telefone bastante. Conforme aumentava o círculo de amizades aumentava também o número de minutos que eu precisava pra continuar falando. O que? Continuo sem saber.

Hoje em dia não curto mais tanto falar no telefone. Tenho uma amiga que não gosta da sensação das orelhas quentes. Outro que nem atende direito, parece que tem fobia de 5 minutos de conversa. Não tenho nenhuma neura com temperaturas ou tempo, eu só perdi a vontade de falar quando posso escrever.

Isso ai. SMS, caros amigos. SMS é uma das maiores invenções do homem. Eu gosto bastante delas. Acho um meio de comunicação muito eficaz. Consegue ser formal se eu quiser. Consegue ser pessoal e sucinto se assim eu preferir. Consegue ser direto ou ambíguo. Isso se prova muito interessante em situações de tentativa de aproximação de pessoas. Been there done that.

Hoje em dia aprecio mais ter um milhãos de SMS que os muitos minutos. Sou capaz de mandar 50 mensagens em um dia, se assim for preciso.

Outro dia estava numa discussão sobre o escrever contra o falar. Que o escrever deixava muitas entrelinhas, possibilidades de interpretações, porque faltava o tom de voz, o volume de voz. Ok, eu até concordo que o falar é mais funcional nesse sentido de evitar confusões, mas ainda acho que escrevendo da forma certa tudo se resolve. Mesmo nos poucos caracteres disponíveis num SMS. Claro que você juntar vários em um grande MMS e tudo pode virar uma carta, se você quiser.

Escrever sempre foi mais fácil que falar, pelo menos pra minha pessoa. Sempre foi assim e continua sendo. Preciso melhorar esse aspecto da minha vida? Talvez. Mas enquanto isso não rola, vou sacar meu celular aqui e digitar.

SMS, obrigado por existir.