Ibuprofeno?

Ontem fiz uma visita surpresa no meio da madrugada ao hospital próximo de casa. Que ambiente legal, sempre com aquele ar asséptico porém sujo, aquela hospitalidade/hostilidade dos funcionários que têm que fazer aquele turno louco. Como não era eu o doente em questão fiquei a pensar sobre o assunto (enquanto eu observava uma mulher imitando pra atendente aqueles movimentos dos ab-shapers da vida, a venda na polishop ou coisa do tipo).

Tirando as crises que bebês seres humanos aparentemente sempre têm, eu não me lembro de ter ido ao hospital com alguma enfermidade grave, a não ser a vez em que eu tive ataque de alucinações. 

Sim, alucinações. Sem drogas nem nenhum trauma como causa. Apenas uma crise de alucinação. 

É uma sensação estranha, eu devo admitir. A parada foi que eu estava na minha cama olhando para a parede, esperando o sono vir, quando de repente, buracos enormes começaram a tomar conta da dita parede. Óbvio que meu instinto foi o de tapar os buracos com bolas imaginárias criadas nas minhas mãos. 

Mas era impossível tapar todos eles. Logo a defesa seguinte foi… ir pro banho. Mas não sem antes forrar todo o chão do banheiro com jornal. Quando minha mãe entrou no banheiro e viu o chão forrado pelo que agora era um grande e enorme monte de jornal molhado eu deveria ter dito “opless”. Mas eu acho que eu não disse nada. 

Hospital here we go. Exames pra cá, exames pra lá e nada de errado. Conclusão do médico de plantão: Não deve ser nada. Leva ele pra casa e dá alguma coisa pra ele comer. Um lanche ou coisa assim. 

E foi assim que eu comi os dois melhores hambúrgueres da minha vida, preparados pelo meu pai no meio da madrugada. Hambúrgueres esses que curaram para sempre as minhas alucinações. 

Ontem, depois de raio-x, remédio na veia e inalação alheias, fiquei pensando que tudo seria infinitamente mais simples se na receita do médico, ao invés de quase 200 reais em medicamentos só estivesse escrito:

letrademedico

E já que estamos nisso, porque letra de médico parece sempre meticulosamente treinada para ser ilegível e escrota? 

Texto: F. Garrido

Ao som de It’s Blitz! (Yeah Yeah Yeahs)

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