Author Archives: Filipe

adultos

Eu tava relendo meus posts, com orgulho por ter escrito dois numa mesma semana. Teoricamente eles não têm nada a ver um com o outro. Relações pessoais e futebol. Mas percebi uma coisa interessante: acho que tenho com as pessoas uma relação parecida com a que tenho com o futebol.

No último post falei sobre o quanto desaprovo o siso no futebol. Falei sobre a perda da magia a partir da mudança de olhar, que destrói, de certa forma, a beleza e a emoção pura que vêm dali. Claro que isso tem dois lados, como também disse no outro post. Aproveitando essa ingenuidade, muitos transformam o futebol em um negócio rentável e corrupto às custas do torcedor. E, pior que isso, fazem de otário aquele que é o motivo de o futebol ter se tornado rentável — quem lota os estádios –, fazendo com que sofra as consequências do abuso do poder e do descaso, consequências essas que se materializam em um time ruim e perdedor.

Quando penso assim, me acho meio idiota por me envolver e dar importância para algo que quem comanda nem sempre olha para o meu lado, nem sempre age com reciprocidade à paixão que move a multidão de fãs. Mas, penso, se não enxergar o futebol com paixão, qual será a real serventia dele na minha vida? De jogo sem graça, que não trascende nada, já basta a bocha, a Paciência do Windows. Quero algo que me traga um sentimento diferente a cada contato que eu tenha. Para mim, o futebol é assim. E, para mim, assim também têm que ser as pessoas.

Pessoas que não têm nada a ver comigo — não me encantam de jeito nenhum — não são o problema. Elas são para mim como o salto com vara, o decathlo, a maratona. Não me dizem nada, passam batidas. O problema de verdade reside nas pessoas que são metade do futebol. Pessoas que são o futebol sisudo, pessoas que passam a tratar a vida como meu tio — aquele citado no post anterior, que acha que ganha o time em que os dirigentes roubam menos — trata o futebol. E o pior é que isso não tem a ver com afinidade, não tem a ver com conteúdo. Meu tio mesmo é um grande cara. Posso passar dias me divertindo e conversando com ele. Temos afinidade. E lembro — talvez de maneira distorcida — que um dia ele não era assim. Tanto que me levava aos jogos constantemente, vibrava e sofria com o todo-poderoso. E, percebo, pessoas com a idade dele, que formam a primeira geração que eu consigo ter memórias de como era quando jovem, em geral ficaram assim de uma hora pra outra. Outro tio meu, que adorava música, que me deu minha primeira guitarra, jogava videogame, ria, se divertia e de repente endureceu. Meu pai também, cada dia que passa quer mais dormir cedo e menos curtir as coisas da vida, seja tomar uma cerveja, seja ficar com a família. Percebo essas coisas há tempos, mas elas, por mais perto que estivessem, ainda não me atingiam.

O negócio é que agora são meus amigos que não sofrem mais com o futebol. Perdem a Libertadores e tomam uma cerveja com a mesma empolgação que tomariam se tivessem ganhado. Mais uma vez, não tem a ver com afinidade. São amigos, pessoas que me rodeiam, pessoas que escolhi que estivessem por perto.

Não consigo concluir outra coisa que não “adultecer sucks”. Acho que uma certa hora é inevitável mesmo, você amadurece, fica mais cansado. Mas isso daqui uns 30 anos, né? Por enquanto, isso é uma escolha. E essa escolha faz quem quer brincar de ser sisudo. Como aquelas crianças que querem ser adolescentes e resolvem encanar com o pai e a mãe, descem do carro um quarteirão antes da escola pra chegarem sozinhas.

Lógico que o mundo começa a clamar por essa mudança, mas eu ainda acho que tem que se saber dosar isso aí. Blasé e sisudo com 23 é querer ser hype. Ser assim como eu, acreditar ingenuamente na fantasia é pedir pra ser enganado por dirigente também. Mas eu sei disso, também sofro com o mal, pelo outro lado. Insisto em jogar bola, em não me formar. Insisto em não sucumbir ao mal da rotina. Insisto em não deixar de lado o que faz da vida mais doce, como gritar na arquibancada e sofrer com o futebol. E nessa hora me identifico muito mais com o Gavião ao meu lado, na arquibancada, que talvez não tenha afinidade alguma do ponto de vista intelectual e de interesses, mas que preserva uma visão de mundo que vem ao encontro do que eu penso. Nessa hora, quero ser o torcedor, não quero apurar o balanço de gastos do clube. Quero do meu lado quem vê como eu. Não quero um banco de dados, um monte de boas opiniões, um monte de idéias boas, mas que se diverte com a aventura de se portar com juízo extravagante.

Sei que é possível torcer e sofrer com olhos atentos ao que fazem os dirigentes. Sei que é possível adultecer sem perder as delícias da juventude. Mas como ainda não sei como fazê-lo e como tenho pavor do jeito com que as pessoas ao meu redor têm feito isso, prefiro ser e dividir minha vida com pessoas que sofrem e vibram. No fim das contas, dos amigos que vão e vêm, os que sempre ficam são esses aí, que racionalmente não têm o mesmo potencial que têm outros de serem meus grandes amigos, mas que encantam talvez por se deixarem enganar por qualquer ridículo tirano.

Bando de louco

Eu sempre curto uma preguiça. Mas aí fiquei com preguiça de curtir a preguiça e resolvi me mexer, na última quarta-feira. Não foi uma mudança drástica, tipo começar o TCC. Mas tomei coragem de encarar a fila no Pacaembu, no sol, e comprar um ingresso pra ver o jogo do Corinthians. Sabe como é, Roberto Carlos, Ronaldo, Elias, Fiel Torcida e tudo que engloba o time do povo. Antes que você se pergunte, não, não é exatamente um post exaltando meu time do coração. E que não se preocupem os que detestam o futebol — não quero discutir esquemas táticos, embora tenha algumas coisas pra falar a respeito disso.

O negócio começa exatamente por vocês que não gostam de futebol. Ou pelo  próprio gostar de futebol. Torcer, gritar, sofrer, chorar. Porque, apesar de inúmeras vezes refletir e discutir com os brothers sobre isso, não entendo o que faz pessoas como eu e muitos outros terem a vida afetada por isso. E não é só afetada, é transformada realmente. Gastei um monte de tempo e dinheiro, fiquei no sol, demorei na fila, peguei uma chuva absurda durante o jogo e, mesmo assim, saí mais feliz. E é assim com muitos. Tem gente que vive pra isso, que viaja a cada jogo. Há quem diga que é um bando de desocupados, que é gente que não faz nada da vida, mas eu prefiro olhar com outros olhos. O que será que tem de tão importante no futebol que faz alguém deixar de viver a vida para si mesmo e dedicá-la a um clube? Como diz o hino do Grêmio Foot-ball Porto Alegrense, “até a pé nós iremos para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”. É essa sina, essa devoção que eu não consigo entender, mas consigo sentir. Claro, não sou um torcedor tão fiel como tantos outros. Mas confesso que gostaria.

Meu pai não gosta de futebol. Tem as pernas tortas, como Garrincha, mas sua habilidade é inversamente proporcional à de Mané. É aquele torcedor que se diz palmeirense, mas que “fica feliz por mim” — como diz — quando o Coringão leva a melhor no embate entre os dois. Meu tio, pelo contrário, sempre foi um bom jogador, e, proporcionalmente, um bom torcedor. Sempre me levou aos jogos. Desde quando eu era um pequeno Louco-por-ti-Corinthians. Lembro de ir ver um Corinthians e Grêmio pela Copa São Paulo de Futebol Junior e sair do Pacaembu no meio da multidão sentado sobre seus ombros. Lembro de ver um Corinthians e Goiás em um dia qualquer de semana. 1×1. Gol de Neto, de falta. Nesse dia, aprendi a mentalizar. Ele me disse: “Mentaliza. Vai ser gol. Enxerga a bola entrando.” Acho que não fiz direito. Neto bateu e foi na barreira. Mas o destino insistiu e o juizão mandou voltar a cobrança. Nova chance pra mim e… Gol! Mentalizei. Vi a bola entrando, no ângulo. O gordinho colocou a bola naquele mesmo ângulo, exatamente como previ. Lembro também de pular a catraca num jogo sob chuva forte. Um cara me ajudou. Meu tio me passou por cima e o cara me pegou do outro lado. Essa brodagem é característica de estádio. O abraço com desconhecidos na hora do gol aproxima aqueles que estão unidos pela mesma paixão. Já rolei a arquibancada, num princípio de confusão. Lembro da minha camisa de porta do estádio, tosca, de algodão. Ganhei do meu tio com três anos de idade. Era da Kalunga. Uma estrela só em cima do distintivo alvinegro. Lembro  como veio a segunda estrela: os gols de Marcelinho e Edílson, com passes de Dinei — o talismã da Fiel — marcados na meta da qual eu estava atrás, na numerada do Morumbi, em 23 de dezembro de 98. O Corinthians vencia o Cruzeiro e virava bicampeão brasileiro. “Fica Luxemburgo, você vai ser campeão do mundo”, gritava a Fiel em festa. Na saída, quase não pisava o chão. Flutuava em meio à massa alegre que deixava o palco. Nesse momento, graduava-me em Corinthianismo. Voltava feliz ouvindo o replay dos gols no Rádio AM no Uno do meu tio. A voz de Silvério, distorcida pela interferência do motor do carro, gritava emocionada o nome do Corinthians e me enchia de orgulho e êxtase. Pude ver, nos próximos anos, muitos outros títulos. O campeonato Mundial sobre o Vasco, xingando o Luciano do Valle, que parecia a nós — eu e meu tio — um agourador do nosso título por vir. Chupa Edmundo.

Também chorei muito pelo Timão. Começando por 93 — o Paulistão para o Palmeiras. Minha mãe pegou uma camista branca e escreveu alguma coisa que não lembro, mas era algo incentivando o Timão antes do jogo e que me deixava feliz, no auge dos meus 5 anos de idade. Eu não entendia exatamente o que acontecia. Não sabia o que era prorrogação. Mas tirava onda com o gol do Viola e a imitação do porco na comemoração, no primeiro jogo. Já xingava os Palmeirenses de porcos, fazia embate de musiquinhas de torcida com minhas primas, até então palmeirenses, mas hoje corinthianas. Chorei muito, sabia que era roubado. Expulsaram o Henrique e o Ronaldo. Meu tio estava indignado. Eu não poderia ficar outra coisa que não isso.

Assim foi nas libertadores contra o Palmeiras. Inacreditável. Sofrível. E contra o River? Já era maior, não queria chorar, xingar. Preferia tentar não me importar. Mas não dava. 2006. Naquele momento até apoiava a massa enlouquecida que tentava invadir o gramado. Coelho? Betão? Fuck.

Ainda não entendo por que razão isso é tão grande. Não vou aqui fazer menção ao quão especial é torcer para o time que eu torço, como a Fiel é diferente. Sei que, do mesmo jeito que lembro desses momentos, outros também lembram de seus times. Meus companheiros de blog, saopaulinos como são, devem ter comemorado com seus pais as libertadores e mundiais de 92 e 93. Também devem ter sofrido com a perda da final de 94 para o Vélez. Com certeza sofreram quando o Raí perdeu dois pênaltis contra o Dida, em 99. E a tetra eliminação para brasileiros nas últimas Libertadores. Os palmeirenses também sorriram enquanto eu chorava. Faz parte do jogo, meu tio sempre disse. Agora ele entendeu isso, não sofre mais. Alguém perde e alguém ganha. Para ele, isso está diretamente ligado ao quanto se rouba dentro dos times. Sei lá. Não aprecio esse siso no futebol. Perde a magia. Sei que nos fazem de idiota e isso é revoltante, mas acaba com a fantasia entender o mundo desse jeito, embora a fantasia mascare os maquiavélicos ditadores. Também sei que eu e o Corinthians não temos ligação nenhuma, que se roubarem lá, eu não perco nada, teoricamente. Se ele perder, eu teoricamente continuo igual. Mas é isso que intriga. Eu me importo, eu xingo, me revolto, sorrio, sofro e comemoro. Me arrepio ao ouvir a massa. E ao fazer parte da massa. Talvez seja isso. Se enquadrar, fazer parte do grupo. Ser mais um louco no bando, louco pelo Corinthians. Naquele momento é só isso que você é. Cantar, pular, xingar. Tomar um gol e cantar mais forte, apoiando até o fim.

Mas, sinceramente, o futebol é mais do que sentir-se bem e completo, incluído socialmente. É algo que você sente como seu, mesmo que pareça ensinado. É algo que você tem orgulho sem saber bem a razão. Porque não é racional. Não é pra entender, talvez. É pra sentir. Não sabem o que perdem aqueles que veem um retângulo com 22 caras correndo atrás de uma bola e milhares de otários pagando pra olhar.

Corinthiano, maloqueiro e sofredor, Graças a Deus.

Back to where we were

Passada a vibe “prova de música eletrônica” e a minha raça de final de semestre — fenômeno único ocorrido a cada seis meses em que eu arregaço as mangas e vou pra cima delas pra fazer trabalhos e o que mais for necessário — voltei a ser o mesmo Filipe de sempre, um pouco entediado, bastante preguiçoso e menos estressado, claro. Assisto o Bate-Bola, o Arena. Nice, se pá. Devia estar escrevendo meu TCC? Como diz o Éfe, “não vou mentir”. Mas essa volta às origens, além de me apartar do mundo e me impedir de escrever (não só o TCC, mas no blog também, como vocês podem notar), me fez pensar em algo. Já aviso que será um post típico de Filipe, mais reflexivo e melancólico do que deveria ser. É impressionante como as pessoas se juntam e se separam, e como elas se repelem também. Aí você diz: “Jura por Deus? Achei que todo mundo se amava igual, achei que não existia afinidade e essas paradas, que ninguém se odiasse, que tudo fosse feliz como um single de caridade à la We are the World“. Aí eu respondo: “Não, porra. Não sou idiota. É óbvio aos olhos de todos que as pessoas se dão bem com alguns e se dão mal com outros seres humanos. Mas o ponto é onde entra o tempo nessa história.”

É impressionante como entram e saem pessoas da vida umas das outras, e é impressionante como faz sentido tudo isso. Houve um dia em que a trinca Eu-Éfe-LucasMelo fazia parte de uma dúzia. Foi uma época louca da faculdade: mó galera, vários encontros, bares, narguiles, WinningElevens. Até viagens e ano novo juntos. Fucking nice. Tenho saudades, admito. Mas aí foi dando uma miada. Ou melhor, a gente foi se destacando do grupo. Parecia que tinhámos mudado. Não fazia tanto sentido. Fechamo-nos em três, com o outro Lucas de D’Artagnan. Logo éramos quatro. Então viramos seis: amigas de amigos, faziam muito mais sentido com a gente do que com quem nos apresentou. E assim progredimos.

Essas conexões quase sinápticas parecem fazer parte da vida social de todo mundo. Uns vão, outros vêm. Alguns vão e vêm, sem nunca irem de verdade. Oscilações. Natural. Acho que isso é coisa muito natural mesmo. As pessoas evoluem, suponho. Talvez não evoluam, porque isso prevê melhorias, o que não me parece ser o caso. Elas mudam, trocam de interesse, valorizam outras coisas. Mas seriam essas mudanças estruturais? Porque não me entendo dessa forma. E parece acontecer de novo. Amigos com novos trabalhos, novos desafios. E ficando pra trás.

Outro dia, um amigo daqueles que nunca vão de verdade me disse: “Você é o tipo de cara que não vai ter contato com os brothers da faculdade.” Se pá. — eu disse — Ainda bem que eu faço duas faculdades, assim dobra minha chance”.

É, de fato, muito natural. Diria até impossível de mudar. Nada segura a falta de interesse, que evolui em distância e desagua na perda de intimidade. Nada segura o encantamento com novas pessoas, que passam a fazer muito mais sentido. Mas não sei o quanto isso acontece comigo. Já deixei muita gente pra trás. E sou deixado pra trás. Não acompanho as mudanças, ultimamente.

Éfe Love — cada vez mais Do Amor — disse no bar outro dia “A intimidade nunca volta”. Acho que foi ele que disse, ou um dos Lucas. Eu até acho que volta. Foi o que eu disse naquele momento. Porque na verdade a intimidade é coadjuvante. O que importa é que não há mais porque retomar. Não faz sentido. E, encarando naturalmente, não me vejo no direito de tentar mudar isso aí, até por não fazer sentido. Há quem diga que se deve ligar, encher o saco, ficar procurando. Não é o meu estilo, it’s not the way I roll. Eu prefiro deixar rolar, pra ser natural, como deve ser. E a vida segue até o dia em que você encontra no shopping e passa por trás do pilar.

História da Música Eletrônica

Faz um tempo que eu não escrevo por aqui, se pá. Desde a última vez, muitas coisas mudaram nessa vida —  impressionantemente, eu diria. As pessoas não são mais as mesmas. Vazios foram preenchidos, outros foram criados e vamo aê. Vou finalmente ser um graduado e poder ter cela especial. Meu sonho do futsal chega ao fim, embora a Família dure para sempre. Tenho até um Facebook, ainda que eu não o acesse muito.

Hoje tava por aqui, nessa vida-internáutica-depressiva-de-domingo-à-noite, e uma amiga me disse: “Esse F. Garrido é genial.”, ” Quando você volta a escrever no blog?” e “O que você tá fazendo?”.  Não exatamente nessa ordem, até porque, se falasse assim, eu a chamaria de louca — estilo John Cage — ou de fritada — no estilo TranceMusic (quem sabe você, que lê isso aqui, não entende essa piada no fim do post?). Mas aí eu lembrei do Éfe, com quem há muito não converso direito. Lembrei também do blog, em que há muito não escrevo. E percebi que, embora estivesse estudando no momento da pergunta, isso me fez pensar que a vida é mais doce do que parece, e, por isso, eu devia escrever de novo.

Ela também perguntou “Por que você não escreve mais?”. Tá bom, talvez ela não tenha perguntado, mas faz mais sentido assim pra eu chegar onde eu quero. Eu repliquei: “Porque minha inteligência some no instante em que eu começo a pensar em um assunto, embora ela reapareça com força máxima quando a hora é de escrever sobre esse assunto, assim que ele me é dado”. De fato. Muitas foram as vezes que eu pensei que devia escrever alguma coisa aqui. Pra não ficar tanto tempo ausente. Pra me divertir, porque curto essa vibe da escrita. Pra estabelecer uma relação com essa molecada prafrentex que leva essa blog nas costas. Tava na dívida, de fato. Mas é sempre foda achar um assunto. Os caras enxergam aspectos geniais em situações muito estranhas, como hospitais e telefonemas diversos. Sei lá, pra mim essas coisas passam meio batidas. Na verdade não passam. Mas na hora em que eu penso no que escrever, elas somem. Aí eu deixo pra lá. A vida não parece tão doce assim. Eu tenho coisas a fazer.

Quando eu disse isso, expliquei a situação, minha amiga me disse: “O que tá na sua cabeça agora? O que você tá pensando?”. A resposta taí, no estilo WindowsLive Messenger — o famoso MSN.

Filipe diz:
techno music
Filipe diz:
house, acid, house, trance, disco
Ela diz:
escreva sobre elas ué

Até aí tá tudo certo. Pessoas pensam em bate-estacas diversos, por que não? Eu poderia pensar todo dia. Poderia até ouvir. Quiçá compor alguns. Mas aí eu complementei:

Filipe diz:
to estudando pra prova de musica eletronica, haha

Eu tava mesmo estudando. Tava meio na vibe deprê domingo à noite mesmo. Até porque estudar pra uma prova de segunda-feira é sempre chato e uma maneira meio tosca de terminar um fim de semana que já tinha sido tranquilo demais, como foi esse.

Mas aí eu pensei o quão inusitado devia ser pra alguém “normal” ouvir que house e techno são ítens de resumo para prova. Pensei como é bizarro imaginar alguém sentando numa sala e sendo vigiado para que não cole enquanto versa academicamente sobre a música da balada do dia anterior. História da música eletrônica, meus caros. Minha vida é mais doce do que parece. Eu tinha que escrever de novo. Pump it up. Poperô.

Meio vazio? Meio cheio!

Sabe aquela metáfora meio besta do copo que às pessoas sempre contam pra falar sobre o pessimismo e o otimismo das pessoas? Aquela pergunta que sempre vem seguida de algum tipo de filosofia bobinha “Você vê o copo meio vazio ou meio cheio?”? Confesso que sempre achei isso meio besta mesmo, até porque um copo meio vazio está meio cheio e essas duas coisas não são antagônicas. Eu consigo ver, num copo, essas duas metades conviverem em perfeita harmonia.

Por outro lado, na vida, as coisas são um pouco diferentes. Ela não está tão isolada da gente nem longe o suficiente pra gente olhar pra ela e ver todos os limites dela, como um copo. E também não dá pra separar o cheio do vazio como faz a gravidade com o líquido que estiver no tal copo. É difícil… Por isso a metáfora até funciona. Como as coisas não são simples mas a gente sempre quer que elas sejam, não conseguimos simplesmente parar de pensar na vida de um jeito tão antitético. A tristeza é ruim, felicidade é boa. Ou você tá triste ou tá feliz. Todo mundo deixa a beleza e a densidade da tristeza pra lá e o vazio da felicidade também. Então se evita a tristeza e se busca a felicidade eterna. Acho que por isso que a gente não entende a angústia, sentimento tão híbrido e misterioso. Mas isso não tem tanto a ver com o que eu quero dizer.

Voltando ao copo e juntando com essa visão sobre a vida, confesso que eu também tendo a achar que tá tudo uma merda ou lindo demais. Parece até aquela velha brincadeira com o livro Olho Mágico. Você olhava e via a parada TrêsDê, em seguida ela sumia, aí desfocava o olho e via de novo. É incrível como você muda o seu foco rapidamente, saindo da água e indo pro ar que preenchem o copo. E as coisas que te fazem mudar podem ser simples como um bom treino de futsal com um belo gol e acertos táticos ou uma complexas e importantes como uma conversa produtiva que muda o seu entendimento sobre sua vida.

Hoje foi assim. Tava tudo uma merda. Agora tá tudo bom. Queria que ficasse assim por algum tempo. Assim você se submete as coisas ruins da vida sem colocar nela a culpa, afinal “a vida é bela, a gente que fode com ela”, “tudo acaba bem, se não tá bem é porque não acabou” e “é pavê ou pacumê”.

Uhuuuuu! e agora?

Domingo de alegrias, meus caros. Corinthians campeão, uhuu! Bate no peito e grita, assiste o bate bola. Puta, que da hora! e agora? O que fazer? Não vou pra paulista nem pra praça campos de bagatelle, foi mal. Sempre que eu ganho alguma coisa (ou ganham pra mim, nesse caso – que é algo bizarro e dá muito o que falar, essa coisa “futebol”), fico pensando o que é ganhar e perder. Ganhar é difícil, implica em superar algo ou alguém. Significa ser o melhor, bater adversários e lutar até conquistar. Perder é fácil. Basta ser superado. Entra em disputa e não faz nada, aí perde. Simples assim.

Na realidade, em certo aspecto as coisas se invertem. Hamilton, grande amigo e companheiro da esquadra ecana de futebol, sempre diz : “Quem ganha pode não lembrar, mas quem perde nunca esquece”. Ou algo do tipo. O que importa é que, apesar da derrota ser temida e evitada, talvez ela signifique mais. Quem ganha não fica remoendo a vitória. Não deixa de dormir à noite, a não ser por comemorar. E mesmo depois de comemorar muito, gritar, abraçar todo mundo, chorar, ligar pra mãe, tomar whisky e pegar várias minas você pára e pensa: “Legal, e agora?”

Perder te marca. Não é à toa que ninguém sabe perder. Ganhar é tranquilo, depois que você ganha. Não tem nada pra incomodar. Nunca esqueço as eliminações na libertadores de 99 e 2000, ou os bifes e o juca que disputei. A gente pára e aquilo volta à cabeça. Tenta dormir e não consegue. Chora, xinga, grita. Não acredita. Lembra de cada lance. Repassa os momentos. Tem toda a dor do evento. É quase um rito de passagem. Você sai mudado daquilo. Pensa em como devia ter feito. “E se o Marcelinho bate no outro canto?…O Marcos não ia pegar”. Mas a derrota te traz o foco. Você aprende, sabe o que precisa arrumar, sabe o que não fazer de novo. Tem tudo arquitetado, pronto pra ir lá na próxima chance e conseguir finalmente vencer. Perder te traz a esperança e a possibilidade de ganhar. Você sabe seu próximo passo. Você se fortalece pra ir lá e dar a volta por cima, ser o Ronaldo da vez. Você tem coisas a trilhar. E quem ganha? Quer o quê? Ganhar de novo?

Aposto que tem mais gente que esqueceu que Daniel era o lateral-direito campeão do mundo em 2000 do que gente que esqueceu do lateral-esquerdo reserva Roger, de 2003, ou da dupla Betão e Coelho em 2006, nos confrontos contra o River.

E acho que isso é assim para além do futebol e dos esportes. A morte, que não deixa de ser uma forma de perder, serve de exemplo. O que seria de Kurt Cobain, Hendrix, Joplin, Keith Moon, Steve Ray, Morrison, Bonhan, Vicious e muitos outros –  músicos ou não – que estão marcados na história pra sempre? JFK, Lennon? Talvez caíssem no esquecimento. Minha mãe costuma citar uma teoria de alguém que eu não lembro quem que diz que quando se chega perto dos Deuses, da perfeição – vitória! -, acaba-se morrendo. Talvez isso tenha a ver com o fato dessas lendas morrerem de jeitos idiotas. Os mais estúpidos possíveis.

Vai ver é isso mesmo. Depois de ganhar, quando vier a pergunta “e agora? o que nos resta?” talvez a resposta seja “Só resta perder…”. Até porque se você só pensar em ganhar de novo, talvez cada vez seja menos legal. Afinal, o que seria do preto se não fosse o branco?

Sabadão de feriado

A gente sempre posta um texto por dia, mas vou quebrar essa parada. Isso porque é fim de semana pré-feriado, nada pra fazer. É tudo o que eu queria. Vale um post curto, vai.

Belo dia, solzinho firmeza, ninguém em casa. Fuckin’ nice. Mas já criei um twitter, olhei meu orkut, assisti dois jogos de futebol, e agora? Nothing to do. É mó bom não ter que trabalhar ou estudar. Sempre que se faz um dos dois, tudo o que você pensa é em não fazer nada. Mas agora não tem nada pra fazer. Quero fazer coisas legais, com os brothers. Alguém aí afim de um risotto (pode escolher o sabor) e um winning eleven? Tem palmeiras e santos depois. Se alguém tiver afim, é só dar um toque.

Mas o que fazer nessa cidade em feriados como esse? Vocês têm sugestões?

Enquanto isso, Youtube. Kooks nas ruas de Paris. Nunca me canso de ver. Se um dia eu tocar numa banda de renome, quero fazer isso também.

Agora, vou tocar guitarra…

Filipe