Monthly Archives: April 2010

Sobre as pequenas coisas

Eu gosto das coisas pequenas. Dos pequenos gestos. Dos pequenos jeitos. Das pequenas manias.

Quem não fica quieto e observa o mundo em volta de vez em quando perde essas paradas e isso não é legal. A não ser que você não ligue pra essas coisas, é claro, mas daí você pode cair no meu conceito, foi mal.

O que seria do mundo sem os pequenos trejeitos? Uma frase sempre usada é aquela que diz “que graça teríamos se fossemos todos iguais”, sabe? Mas eu vou além, porque assim é mais legal, e digo: que graça teríamos sem as manias, os TOCs sagrados de cada um, os jeitos irritantes?

Claro que o que eu acho adorável nas pessoas hoje pode ser o que vai me fazer xingar as famílias inteiras delas depois, mas quem se importa? O agora é que importa. Eu acho…

Os pequenos detalhes sempre ficam mais na memória que os grandes feitos ou os grandes acontecimentos. Os visuais principalmente. Imagens são sempre muito facilmente graváveis. Um snapshot de um momento, de uma cena. Sons e cheiros funcionam como gatilhos de memórias, mas as imagens, elas vem sozinhas, sem precisar de um catalisador específico. Como aquele sorriso genial depois de uma piada ou depois de algo inesperado.

As pequenas manias e jeitos também são coisas legais de se ter. Você não tem um? Arranje. Sério. Pode ser destruir apoiadores de copos até eles virarem pequenos pedaços de papelão na mesa do bar. Pode ser ficar mexendo na barba, quem sabe até arrancar algumas? Pode ser bater no coleguinha quando ver um fusca azul. Pode ser até bater os dentes durante o sono. Isso faz a diferença.

Eu por exemplo faço duas coisas:

1. Playlists. É isso ai. Curto organização e não nego. Faço playlists e tenho meio TOC com elas. Não gosto de sair de uma sem terminar ela antes. A que está rolando agora é meio infinita e tem 16 mil e tantas músicas. To perto das 2 mil e contando. Vai demorar pra terminar? Sim. Vai tocar músicas ruins pra aquele dia e eu vou pular? Sim. Eu me importo? Não. Ihuuuu!!!

TOC musical é isso aí!

2. Bolinhas de guardanapo. É bonito? Não. É ecológico? Nope. Mas me contenta? Sim, senhor. Alguém talvez ache legal e meio gracioso, vai saber.

Bolinhas rules!

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especialista

Tá rindo do que, Dimitri?
meu, uns malucos fazendo uma dancinha polonesa, olha a viagem
gênio

Dimitri, cara, tô fazendo um texto só sobre danças polonesas,  topa ajudar?
meu, fácil. que que você precisa? vou dar uma pesquisada
beleza, a gente conversa

dança polonesa no Credicard Hall? Chama o Dimitri pra entrevistar os caras, né.
Pode crer. A cara dele

Chora, Dimitri, seus amigos agora te marcaram oficialmente como conhecedor da dança polonesa. É assim, você até acha divertido, viu uns vídeos no youtube e correu atrás de mais informações sobre o Pelé do sapateado polonês. Um pouco mais fundo, saberia até nomear um Pelé e um Garrincha da dança. E só. Nada mais do que uma bobeira de umas noites insones. Mas esses pontos já te qualificam, pelo menos pros seus amigos, como especialista. Não duvide se daqui a uns anos seu trampo seja rodar o mundo e fazer resenhas de espetáculos poloneses.

Não é lá muito fácil controlar certas impressões. E muitas vezes são elas que definem os rumos das coisas. E aí, meio sem querer, de tanto a impressão martelar, você acaba cedendo e comprando aquela ideia pra si. O cara que é chamado para falar em todos os lugares sobre programas de tv, pode nunca ter se colocado como especialista em nada, quem sabe até pensasse ser melhor em qualquer outra coisa. De tanto insistirem, compra a ideia e fica eternamente pensando naquela outra opção que apostava mais no começo, não com arrependimento, mas com curiosidade de enxergar o outro caminho onde, quem sabe, seria mais bem sucedido.

Perceber que agora carrega um título de alguma coisa é confuso. Sempre achei que os músicos fodões soubessem tudo de harmonia, lembrassem de cada ano da vida de cada um dos Beatles, escolhessem metodicamente cada trecho das suas composições, tomassem decisões a cada segundo e estivessem seguros de sua arte. E agora vem dizer que com aquele vídeo meu tocando trombone no iphone virei o fenômeno da música? Símbolo da nova geração, retrato da inquietude da geração plugada? Aquele silêncio entre o refrão e o que seria o segundo verso – falando assim até parece programado – foi culpa do SMS que chegou bem na hora e me confundiu. Não estou pronto pra ser esse fenômeno, nem sei se quero, nem sei se mereço. Fiz de zoeira, acho que sou melhor na arquitetura, na real, que é o que tô estudando.

Como um fenômeno musical da geração plugada deve se comportar? Ao redor, todos já parecem estar conformados com isso, mas eu aqui ainda luto pra descobrir como é que se faz. E eles vêm exatamente como eu imaginaria que viessem se eu de fato fosse ˜o novo alguma coisa˜. Talvez eu até o seja. Talvez meus acordes desencontrados até tenham algum significado. Não acho que sou uma farsa, mas uma parte ali veio na cagada. Eu nem esperava nada disso. A revelação do trombone de iphone nunca viu nem um saxofone de perto, e o iphone era emprestado.

Enquanto isso, o cara da chuva continua falando de chuva, o cara da ecologia defende uma teoria duvidosa, o cara dos games cobre a feira gringa e o Dimitri termina a primeira aula de dança polonesa contemporânea. Deve ser assim mesmo, acho que sou o cara da música revolucionária, só pensei que fosse ser de outro jeito.

Jamie & F ?

Não ter o que fazer da vida traz consequências muito peculiares pras pessoas, não? No meu caso o pior que isso traz é a tendência a dormir cada vez menos e cada vez pior.

Fluxos de pensamentos vem com mais frequência quando não existem obrigações ou afazeres que te cansam, que te obrigam a descansar, a dormir relativamente cedo, que te fazem ter uma mínima rotina. Não ter isso dá asas aos pensamentos. O que de certa maneira é bom mas ao mesmo tempo te privam de qualquer sistemática organizacional, o que basicamente significa foder o seu corpo.

Não durmo direito faz umas semanas.

Deitar e dormir logo nunca foi uma característica marcante da minha pessoa mas tudo isso está se agravando agora. Dormir é solitário. Não dormir é mais ainda. Há só um tanto que posso ficar descobrindo na internet ou na televisão.

Uma atividade antes muito prazerosa, a de ficar no computador baixando e ouvindo música começa a se tornar a única rotina que eu tenho. E como todos sabemos, a rotina não costuma levar ao prazer e sim ao comum, à repetição e à exaustão.

Não que eu não curta mais você, computador. Nem você, internet. Mas poxa, começo a pensar que dormir de fato é gostoso. Queria eu ter dado valor antes.
Ocupar o dia com tarefas pode ser uma solução. Já pensei em ir correr. Mas eu canso disso. Queria jogar futebol a tarde toda, assim ficaria cansado, mas pra isso preciso de mais pessoas tão ou mais desocupadas do que eu, o que não é fácil de se arranjar. Poderia ir fazer aula de alguma coisa, tipo alemão ou espanhol ou francês ou então um instrumento musical, mas a vontade não é tão grande assim. Sei que “tipo” em espanhol é “cara” e sei tocar o comecinho de Come As You Are numa guitarra caso um dia a minha vida dependa disso, então por enquanto to sussa.

To pensando seriamente em começar tipo uma maratona culinária, afinal se tem uma coisa que nunca me cansa, essa coisa é comer. Uma parada meio Julie & Julia. Outro dia rolou uma troca de livros de culinária e acho que isso me inspirou. Mas talvez eu vá radicalizar e vá direto pra comidas mais ousadas, tipo gregas, árabes, mediterrâneas, nórdicas… Ou não. Talvez eu fique só fazendo o que eu já sei mesmo. Ovo frito e pão-de-mel. Combinação dos campeões.