Monthly Archives: May 2009

A vida é assim que nada, rapaz!

Ando falando demais “a vida é assim” e as vezes me xingo  depois de ter falado porque tenho consciência de que essa expressão é em algumas vezes uma tentativa (idiota por sinal) de fingir que as coisas são imutáveis e assim me livrando da culpa, do arrependimento, do peso na consciência ou coisas assim.

“Ah, o São Paulo perdeu”. Poxa, isso eu não posso corrigir. Daí a frase cabe. Pra mim pelo menos, não pros jogadores.

“Poxa, não estamos nos encontrando com frequência, mas a vida é assim”. Daí já não cabe, porque isso eu posso mudar, eu posso tentar fazer as coisas diferentes.

Eu sou o campeão de desistir das coisas. Let it go é um bom lema que define a minha pessoa. Isso serve em alguns casos, mas em outros só fode a porra toda. É bom desistir de ser apegado aos bens materias por exemplo. Carro riscado? Computador amassado? Tá funcionando direito ainda então tá sussa. Poxa, não é porque mamãe derrubou um cabideiro no laptop que ele vale menos pra mim e para o mundo. A vida é assim e ela segue.

Mas nos casos mais sérios, que envolve pessoas, grupos, amigos e tal é que cada um sabe aonde aperta. “Perdi a final da Champions com os bros, mas a vida é assim” não deveria valer porque é mais um programa fail que eu sou faço, porque desistir é sussa. Talvez seja, talvez não seja, como saber? Ficar de um lado dessa equação não é legal também. Tentar experimentar o outro lado, essa é a jogada da semana.

A vida é assim que nada. Eu que sou assim. Ponto. Melhore. Recado para você mesmo, Fernando. E a vida segue.

Bart e os proverbios

Texto e montagem tosca: F. Garrido

Ao som de Marillion (Friends)

É um disco riscado, meu filho

A gente não tem lá muito assunto. Melhor dizer, tem, mas tá em falta (parafraseando um vendedor daqueles mercadinhos que vendem de tudo, quando você o surpreende com um item exótico). Porque mesmo podendo conversar sobre guardachuvas e formigas alienígenas em propaganda de desodorante, gostamos de nos manter na mesma tecla. O caso clássico é do papo entre “conhecidos”, quando não dá pra encontrar um começo de conversa, qualquer que seja. Sempre rola, porém, a carta na manga, muitas vezes usada logo de primeira, um assunto que é certeza que dá certo. Se conhece fulano via ciclana, pergunte dela. E os seus irmão, estão bem? E esse São Paulo, hein? Ou então repetir uma piadinha recorrente, apresentando ao público ao redor a cena que vocês já ensaiaram por diversas vezes. Depois dela, provavelmente já é tempo de ir embora. Se não for, o problema aumenta, porque é caso de esticar a baboseira para um espaço ainda maior.

Se procurarmos direito no histórico das nossas conversas, dá pra notar que a repetição de um tema não é exclusividade dos “conhecidos”. Não sei se é só comigo, que planejo, escolho, decido e nunca faço nada, mas velhas histórias rondam a vida. “Tal pessoa é escrota”, olha o perfil no orkut, nossa, saca só como ela escreveu dessepção, e essas fotos bancando a gostosa? Pronto. Na semana seguinte, lá estão os dois falando de novo do último erro de português bizarro, da mais nova pose “sou tigrona” e da mais recente prova para defender o ponto de vista que já foi discutido um milhão de vezes. Apresentando a ceninha ensaiada de novo, com ou sem plateia pra assistir.

Repertório, cara, é tudo uma questão de repertório, diria um. Não acho que seja. Parece que gostamos de verdade de nos manter nas mesmas conversas. Pro “conhecido”, não vale buscar referências distantes para iniciar o assunto, até porque pode ser muito difícil saber por onde começar. E, para aquela conversa rápida, inventar moda pra que? Vamos no seguro e pronto. Com gente mais próxima, você usa seu repertório em outras ocasiões, mas ainda assim pode ser divertido repetir aquele tema. Ou talvez ele seja tão óbvio que vire recorrente, tipo a história do “poxa, preciso terminar meu tcc” (e a discussão não é sobre o tcc, e sim sobre o fato de precisar fazer um tcc).

Como se não bastasse associar pessoas com temas de conversas, ainda é natural, de um jeito bem egoísta, forçar determinados assuntos com todos ao seu redor. Sabe quando você fica numa dúvida qualquer ou vê alguma coisa muito interessante e fica com vontade de falar sobre aquilo? Não importa,  mesmo que a descoberta seja sobre a nova tecnologia usada em carros de fórmula 1, você encontra uma maneira de fazer  a conversa sobre gatos obesos chegar, em uma ou duas etapas, aonde você quer. E, de repente, a história da fórmula 1 passa a fazer sentido comparada a tudo e pode, portanto, ser usada como exemplo para qualquer coisa, mesmo que não sirva. Então, em uma semana você percebe que o negócio não é mais falar dela e sim do fenômeno da volta dos grandes jogadores de futebol ao Brasil. Logo esse é o tema que pode ser colocado em qualquer mesa de bar. Dó ou Fá bemol, o esquema é repetir a mesma tecla.

De três!!!!!!!!!!!!!!!

O corredor é bem iluminado, com posteres de vários feitos por toda a sua extensão. Ao mesmo tempo que exibe uma grandiosidade, ele é estreito e incomoda um pouco. Várias pessoas olham pra gente. Pra mim e pro meu bro. Ele anda resmungando umas coisas, reclamando ainda do que acontecera anteriormente.

Eu tento falar pra ele que ok, a vida é assim, hoje você perde pra amanhã poder ganhar, que errar é humano e blablabla. Ele não aceita, fala que se tivesse sido ele talvez tudo seria diferente. Nisso eu concordo com ele até.

Chegamos na porta e eu fico meio assim de entrar, nunca tinha ido ali. Ele acena com a cabeça e fala que ok.

Entro e lá tem tudo quanto é tipo de bebida e mulheres, muitas mulheres. Lembro só dele falando pra eu escolher uma vadia qualquer e em seguida alguém me ensinando como usar o que eu deduzi ser um aparato/traquitana tecnológico bisonho para se fumar/cheirar/beber alguma coisa.

Depois disso só lembro de estar dando um role na Escalade do bro.

Ok, eu acordo e me pergunto: what the fuck? Sonhos são muito curiosos. Depois do estalo e do reboot natural volto a pensar no que acabou de acontecer dentro da minha mente. O bro, caso se pergunte, era o Lebron James, jogadors de basquete. As vadias eu não lembro  direito se  eram alguém conhecida e a droga vai saber, não tinha cor, era transparente, era pra cheirar, era pra fumar, era bizarro enfim, tinha uns botões pra apertar.

Sonhos esportivos são o grande fetiche do meu cérebro. Perdi a conta de quantas vezes sonhei com os mais variados esportes. Futebol não conta porque é um desejo frustado (não, nunca quis ser astronauta nem caubói, só jogador mesmo), basquete, tênis, baseball, futebol americano e até natação, sendo que eu sou possivelmente o pior nadador do mundo, pior até que aquele cara das Olimpíadas que demorou sei lá, 5 minutos pra nadar 100 metros, sabe?

Enfim, sonhos são curiosos e bizarros. Depois de 5 segundos me toquei que o Lebron de bro meu não tem porra nenhuma, nem vai me apresentar umas minas, nem vai me levar num rolê de Escalade. Mas tudo bem, ele acerta umas cestas milagrosas de 3 faltando 1 segundo pro fim do jogo enquanto eu penso positivo aqui pra ele.

Levantei da cama e liguei a TV e adivinha? Sim, VT do jogo da noite anterior. Sorri e vi tudo de novo.

Texto: F. Garrido

Ao som de Fly (Ludovico Einaudi)

GPS

gps

meu sufoco de domingo a noite.

“Ahn, acho que não”

mal sabia ele, mas tinha acabado de decretar seu sufoco. Deixar pra depois parecia inofensivo. “tô bem, tó ótimo”, entrou no carro e pronto, estava aprisionado. Por um logo momento, esqueceu. O resto o consumiu, ocupou sua cabeça. Estava bem, ótimo. Teve uma hora pra viver no mundo das pessoas que não têm problema algum.

Foi só largar o resto para encarar o choque de realidade. Tomou o rumo de casa. Não estava mais nem bem nem ótimo. As ruas pareciam apertar a cada quarteirão. Procurava outro caminho. Fazia cálculos de distância. Tentava mudar de assunto. Não dava. O foco da sua existência estava reduzido às questões vitais. Desistiu.

não da vida, do plano anterior. Mas nem a desistência era fácil, não podia pular do barco ali na frente daquela padaria por onde passava. Rua vazia, muro. Agora sim. Só deixou o último motoqueiro sumir na escuridão, encostou. Chegar em casa não seria tão bom.

300 . 400.450 . 600ml
1L – 1,5L do mais puro xixi amarelo. Mais 30ml. Mais 15ml.

Voltou para o carro ainda a tempo de ver de longe o estrago. Ruas largas novamente, estava preparado para mais quatro quarteirões até em casa. Bem. Ótimo.

Dormir é que é difícil

Dificuldade pra dormir não é uma coisa muito legal. Eu não tenho um problema crônico, que precise de remédios ou coisas do tipo. Conheço pessoas que necessitam disso e em nada somos parecidos. Simplesmente nunca  consegui direito atrair o sono para a minha pessoa.

O dormir em si é normal, sonhos acontecem com regularidade, dos mais variados tipos, formatos, estruturas e tudo o mais. O que incomoda é o pré-sonhar, é a antecipação do ato de pegar no sono. O colocar a cabeça no travesseiro deveria ser algo relaxante, o momento de esquecer tudo e abraçar o mundo louco dos devaneios, curtir um r.e.m e esperar por aquele reboot do corpo pro dia seguinte nascer feliz.

Mas nem sempre é assim. Isso porque nossos cérebros não vieram com um interruptor on/off embutido. Fluxo constante de pensamento é uma merda, ainda mais quando algo te preocupa, algo te incomoda, algo te intriga. Então o momento do colocar a cabeça no travesseiro só serve pra exacerbar esse fluxo louco. Você acaba indo dormir pensando e eu não sei o quanto isso de fato é saudável pras pessoas.

A internet é um ótimo remédio contra a falta de sono, mas ela cansa as vezes. Quando não tem ninguém mais pra conversar com você ciberneticamente e é muito tarde para ligar para pessoas o que resta é virar para a TV. A madrugada tem coisas boas e coisas ruins. Tipo um especial de A Prova de Tudo ou Pesca Mortal ou então um episódio louco de Double Shot At Love. Mas dai geralmente tudo que é interessante (nem que seja tosco interessante) passa no mesmo horário. Acaba e passa o que? Leilão de joias! Ok, você venceu, travesseiro here i go.

Mas o fluxo está lá, tipo uma hemorragia que não pode ser controlada. Música? Sportv News? Nada. Só eu, eu mesmo e o travesseiro. Milhões de porques pipocam. Milhões de possíveis cenários. Milhões de possíveis respostas. Milhões de possíveis futuros em milhões de diferentes assuntos. Assim funciona a highway da racionalização.

Eventualmente o sono vem, de surpresa, no meio daquela solução para todos os problemas. Acho que as sinapses já deram o que tinham que dar.

A consequência de dormir pensando demais é o acordar cada vez mais perdido do Brasil. Sabe a ressaca? Acordar sem saber onde está, o que fez, o que deveria estar fazendo ou o que se programou pra fazer? Isso é decorrência da estafa mental, catalizada pelo maravilhoso mundo do álcool etílico obviamente.

Mas é ruim quando se acorda depois de dias normais, quando tudo o que fez  foi curtir uma internet, ler e assistir TV. Acordar precisando de alguns minutos para se localizar no mundo, no seu próprio espaço-tempo é algo que é meio novo. Antes o método perfeito pra acordar elétrico era com o alarme no celular no volume máximo setado para tocar Jump do Van Halen, cujo barulho inicial é agudo e alto e barulhento e faz o coração disparar. Uma boa música, uma boa escolha. Acordava acelerado, sabendo o que tinha pra fazer. Acordar assustado não é a vibe mais comum, mas funciona maravilhosamente bem.

Mas como tudo na vida, o costume de acordar assim acabou com a eficácia da parada toda. Assim, o esquema foi partir para um despertador-rádio-relógio alto pra cacete. Ele fez o que devia. Mas a magia foi efêmera. E agora?

Continuo acordando com o barulho alto e chato dele, mas meu coração não mais se assusta e não mais bombeia sangue pro resto do corpo com a velocidade anterior, fudendo o acordar, me fazendo sentir um perdido bêbado sem ter bebido.

Quem dera tivesse ficado só com o problema ao dormir. Talvez aprender a dormir melhor, aprender a forçar o cérebro a parar de pensar, resolva a parte 2 do problema.

A questão é: o travesseiro é afinal o lugar perfeito para por tudo em panos limpos consigo mesmo? Ou deveria apostar minhas fichas numa loura gelada?

Texto: F. Garrido

se sua estrela não brilha, não tente apagar a minha

Hoje desci por uma escada rolante atrás de um par de gêmeas. Elas tinham uns 14 anos mais ou menos. Cabelo longo em trancinhas e se vestiam (mal) quase igual. Até aí normal, gêmeos se vestirem igual é uma boçalidade razoavelmente comum. Só tinham uma coisa diferente: o boné personalizado. E é aí que o bicho pega.

Pra ficar mais fácil, realiza comigo: você era eu e estão as duas na sua frente. A da esquerda usava boné preto raso. Na parte de trás, bordado MAYARA em verde marca-texto, com letra de pichador. Dos lados, umas flechas bizarras e um coelhinho da playboy escrito “Piloto” abaixo.  “Elegante”, você pensa. Mas não acaba aí. Abaixo do nome, uma frase: “Não sou mala, apenas não forço simpatia”.

ok. Agora a outra irmã, que me comoveu mais. O boné dela era rosa e branco. Escrito em azul atrás, o nome: NARJARA. E o grito de guerra dela, nada menos que genial: “Na boca das recalcadas, viro celebridade.”

…né.

Acho que prefiro não elaborar muito sobre isso e gosto do fato de não ter explicações sobre que merda é aquela que elas usam na cabeça. Quero deixar a memória que eu tenho de Mayara&Narjara assim, uma obra aberta, pra curtir aos pouquinhos.