Monthly Archives: January 2009

Cabelo alheio não, valeu!

Qual o problema das pessoas nas aglomerações sociais? Sério, o que acontece em shows por exemplo? Acho difícil abstrair ou relevar os idiotas, não importa o quão apertado ou pequeno o lugar em questão seja.

Então quer dizer que algumas pessoas acham simplesmente normal perder qualquer senso de comunhão social para chegar atrasado na parada e querer ficar lá na frente, onde pessoas não são mais pessoas e sim grandes sardinhas, espremidas num ambiente composto basicamente de fumaça tóxica, suor e cerveja derramada? Nice, assim vamos caminhar para um lugar melhor mesmo, viu!?

Mas observar as pessoas em shows é algo realmente curioso. Tem sempre um casal se pegando loucamente, os caras que vão em bando pra fazer sei lá o que, o idiota que grita ironicamente a cada fim de música, a idiota que grita insanamente a cada fim de música e por ai vai.

Mas o mais irritante não é isso e sim o constante vai-e-vem de pessoas querendo ocupar um espaço que alguém já provou por A + B que é fisicamente impossível de ser ocupado, pelo menos naquele instante do tempo-espaço. Além de perder o senso social, as pessoas perdem qualquer senso de física que eles tenham aprendido na sua educação. É bem chocante.

Depois a intolerância para com as pessoas é mal-vista nos grupos sociais. Mas como ser tolerante num ambiente assim? Ou será que é uma necessidade humana dar passos pra trás de vez em quando na evolução animal para se sentir melhor consigo mesmo, mais na vibe do show? Eu sei lá. Chocante continua sendo a palavra que pra mim melhor define esse tipo de coisa.

É muito masoquismo mesmo. Pagar pra sofrer esse tipo de coisa.

“Ah, que fresco, vai se fuder” alguém pode pensar. OK. Respeito as pessoas que gostam de ficar roçando em braços suados e tal, mas eu não sou lá muito fã dessa parada de multidões ensandecidas, por isso, já que é pra pagar x, então prefiro pagar 1.5x pra pelo menos não ter que ficar caçando na minha nuca o cabelo da vadia do maldito casal louco que ficava se pegando e fazendo movimentos pélvicos epiléticos, dando cabeladas dignas de comercial de shampoo na pessoa da frente… sim, isso acontece… e não, não é legal.

apertapertaperta

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Texto: F. Garrido   / Desenho: Lucas F.

Ao som de Book Of Shadows (Zakk Wylde)

Criando expectativas

Por que somos idealizadores? Por que criamos expectativas idiotas?

No meu caminho pelas ruas perto de casa bem de manhã eu sempre encontrava uma menina indo a pé pra escola com o avô dela. E eu sempre pensava que aquela menina era a menininha perfeita, bonita, respeitável. Aquela que quando crescer vai ser bacana. Sei lá porque eu pensava isso. Nunca troquei uma palavra com ela, não morava nem tão perto dela assim, não conhecia a família, o gato ou o cachorro dela, e a via por 5 segundos a cada dia da semana. Ou seja, 25 segundos semanais e eu já criei uma expectativa em cima da pessoa.

Passou um tempo (anos? meses? quem vai saber?) e eu a reencontrei, dessa vez mais crescida e sem o avô e sim com um mano do lado dela. Um mano tosco. Um mano muito tosco. Tipo um mano muito tosco que usa boné! Fuck that shit! O conceito da menina já caiu uns pontos ai.

Passou mais um tempo e eu a vi beijando o tal mano…. “Aí não, poxa” eu pensei. Tudo o que eu tinha idealizado tinha ido por água abaixo. Que merda.

A minha rotina de passar de manhã pelo mesmo caminho acabou e eu nunca mais a vi. Hoje eu passei na rua dela. Mas não só ela fica com manos idiotas de boné como agora nem bonitinha ela é mais. A única coisa que pensei foi:  vadia.

Se as pessoas idealizam a menina bonitinha que anda com o avô na rua imagina o que se passa nas relações normais? Seremos todos vadias um dia ou outro?

vlzl2

hehe

Texto: F. Garrido   / Desenho: Lucas F.

Ao som de Little Joy (Little Joy)

minotauro da síndrome do pânico

ô dó

ô dó

L

i will possess your heart é uma música realmente boa.

a fada do HPV

weeeee

weeeee

L

Analogias

Além de um fã de Lulas a Doré eu sou um fã de analogias. Pra que ser literal se as analogias na maioria das vezes explicam tudo muito melhor?

Já participei de muitas discussões de onde saíram muitas boas analogias, dentre elas: “o amor é feito de highways e pequenas estradas-d0-vinho”, “relacionamentos são como cachorros”, “relacionamentos são feitos de steps”, “a vida é uma grande página 2” e etc…

Mas pensando melhor esses dias cheguei a outra (are you ready for the floor?):  a vida é uma grande luta greco-romana.

Eu não sei ao certo as regras da luta greco-romana, então numa rodinha de pessoas praticantes desse esporte tão nobre talvez você não se consagre caso solte essa analogia mas ok. Enfim, a luta greco-romana (aquela mesmo onde os atletas usam colants tipo X-Men se empurrando e brigando no chão) consiste nada mais nada menos, pelo menos ao meu ver, numa constante luta de território. É do tipo “hey, não era pra você passar desse circulozinho no chão, mermão!”…

Mas porque raios a vida seria uma luta greco-romana? Pelo simples fato de que todos nós vivemos numa constante luta por território. Seja ele com seus pais, com seus amigos, com você mesmo, porque não? Além do mais, as pessoas são todas prepotentes, a um nível ou outro. Tirando pessoas com muito auto-conhecimento, vivemos buscando relacionamentos. Vivemos buscando pessoas. E para cada pessoa nova um novo circulozinho é desenhado no grande tatame da vida.

A prepotência entra no sentido de que dependendo da pessoa que você está buscando se relacionar o circulozinho é maior ou menor. Quanto mais perto mais a empatia por aquela pessoa, maior a “brodagem” (que palavra genial). E quem desenha o maldito circulozinho é você mesmo, seja porque você tenha patamares de simpatia altos ou baixos.

Seria possível se livrar dessa prepotência? Acho que essa é na verdade a questão central disso tudo. Será que eu quero me livrar dela? Será que eu quero que todos meus circulozinhos sejam os menores possíveis? Ou manter a diferença entre o círculo raio x e o círculo raio 3x seja bom de alguma forma? Eu quero ser a pessoa que fala “don’t cross this line” ou quero ser o que fala “entra aí, bro”?

rudolph é o cacete

rudolph o cacete

Texto: F. Garrido   | Desenho: Lucas F.

Ao som de Tonight: Franz Ferdinand (Franz Ferdinand)