Tubinhos brilhantes

Sou péssimo pra conhecer pessoas novas. Sou péssimo para puxar conversa com pessoas que eu desconheço, nunca sei o que dizer ou o que fazer. Em poucas oportunidades eu consegui de fato levar uma relação normal com pessoas nunca antes vistas.

Ontem eu pensei nisso ao ficar vendo uma garota no show do Radiohead. Tinha acabado o show dos “alemões/russos” do Kraftwerk e o palco deles tava sendo desmontado. Desde o sempre as paradas luminosas geniais do palco do Radiohead já estavam a vista no palco, colocadas de lado, esperando o momento pra serem colocadas no seu respectivo lugar.

Eu olhei pra essa pessoa e ela estava com os olhos fixos no palco, esperando alguma coisa acontecer que indicasse menos tempo pra Radiohead entrar. Qualquer coisa. Olhos marejados através dos óculos estilosos e sua blusa listrada.

Não bastassem seus olhos fixos, eles estavam marejados. E ela comia as unhas compulsivamente.

Eu queria ter a coragem de ir falar com ela, não por qualquer outro motivo a não ser a minha curiosidade em conhecer melhor a pessoa mais emocionada do show do Radiohead. Pelo menos a mais emocionada que eu consegui prestar atenção.

Claro que eu não fui lá e depois, procurando por um lugar melhor pra assistir o show, acabei a perdendo de vista. Espero de verdade que ela tenha conseguido ver o Thom Yorke dançando do seu jeito muito louco, assistido a parada audiovisual incrivelmente genial e que tenha curtido o show.

Texto: F. Garrido

Ao som de Minimum Maximum (Kraftwerk)

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