Author Archives: Lucas F.

GPS

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se sua estrela não brilha, não tente apagar a minha

Hoje desci por uma escada rolante atrás de um par de gêmeas. Elas tinham uns 14 anos mais ou menos. Cabelo longo em trancinhas e se vestiam (mal) quase igual. Até aí normal, gêmeos se vestirem igual é uma boçalidade razoavelmente comum. Só tinham uma coisa diferente: o boné personalizado. E é aí que o bicho pega.

Pra ficar mais fácil, realiza comigo: você era eu e estão as duas na sua frente. A da esquerda usava boné preto raso. Na parte de trás, bordado MAYARA em verde marca-texto, com letra de pichador. Dos lados, umas flechas bizarras e um coelhinho da playboy escrito “Piloto” abaixo.  “Elegante”, você pensa. Mas não acaba aí. Abaixo do nome, uma frase: “Não sou mala, apenas não forço simpatia”.

ok. Agora a outra irmã, que me comoveu mais. O boné dela era rosa e branco. Escrito em azul atrás, o nome: NARJARA. E o grito de guerra dela, nada menos que genial: “Na boca das recalcadas, viro celebridade.”

…né.

Acho que prefiro não elaborar muito sobre isso e gosto do fato de não ter explicações sobre que merda é aquela que elas usam na cabeça. Quero deixar a memória que eu tenho de Mayara&Narjara assim, uma obra aberta, pra curtir aos pouquinhos.

fada do HPV RELOADED

quem quer verruguinha na pipoquinha?

quem quer verruguinha na pipoquinha?

manias que eu não tenho # 2

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aliás, as ideias desse “manias que eu não tenho” são tiradas do iamneurotic.com, e porcamente traduzidas e desenhadas por mim.

Um post romântico, enfim

Pra reavivar nossas esperanças nesse mundo cruel que a gente vive. Tudo é melhor com amor, pessoal. Give love a chance.

Esta é uma história real.

Segunda-feira, 9h da manhã. Meu ônibus parado no farol, e duas faixas à direita, um caminhão, esperando o farol abrir também. Já que não tinha nada muito melhor pra fazer, o motorista bigodudo do caminhão vira pra uma mulher em pé dentro do meu ônibus e pisca pra ela, cheio de segundas intenções. A gorda feliz responde o flerte, ri toda serelepe, fala algumas coisas (ou grita, não sei – o fone-de-ouvido me poupou da parte sonora dessa história) e gesticula umas outras.

Ele responde fazendo um gesto de telefone, querendo dizer algo entre “me liga” e “passa o número do serviço”. Ela começa a fazer uns números com os dedos, mas depois desiste e grita alguma coisa pela janela. Ainda mantendo a pose de Don Juan das Carretos, o garotão pisca de novo e faz uma outra observação, com certeza muito engraçadinha (a redonda riu, ao menos). Então o farol abre e minha Julieta Overweight dá seu tchauzinho romântico-platônico pro Bigode. O caminhão vira na próxima esquina e tudo o que resta no ar é aquela excitação, aquele je ne sais quoi de algo que poderia ter sido e ainda não foi.

Ela sai do ônibus dois pontos depois. Foi trabalhar feliz naquele dia, pensando se veria seu Príncipe da Scania novamente.

Tchau, Cléo

É altamente mongol, mas eu tinha certeza que inventariam uma máquina do tempo antes de eu morrer. Não certeza, mas pensava “po, não deve estar tão longe assim de inventarem esse negócio. Tem sei lá quantos milhões de cientistas no mundo estudando isso, é só descobrirem o capacitor de fluxo ou qualquer que seja o correspondente no mundo real dessa merda e pronto.”

Quando eu era pequeno, fazia mais planos. Do tipo “quando eu voltar pro Brasil do século XIX, não posso esquecer de levar açúcar”. Açúcar valia mais que ouro, logo, com uns saquinhos de açúcar União eu seria milionário. Nem ocupa tanto espaço pra levar, o custo-benefício é gigante. Arrumo alguma caipira gostosa pra casar, recebo uns latifúndios do pai dela como dote e faço meus descendentes serem donos do Brasil. Se pá dou uma anexada em outros países, arredondo o Tratado de Tordesilhas, sei lá.

Até hoje, em alguma parte da minha mente, sobrevivia um pensamento de “eu ainda vou refazer umas paradas históricas hehehe.” Mas agora não mais. Pensando sobre o tempo numa aula, destruí meu próprio sonho. Pensa: se uma máquina do tempo fosse ser inventada no futuro, a gente já teria visto alguém do futuro. Com certeza algum idiota voltaria pra ver como foi a presidência do Lula, a eleição do Obama, o hexa do São Paulo ou algo assim. Mas não! Todos os idiotas que eu já vi pareciam do presente mesmo.

Obviamente eu tô falando da ideia mais pop e legal de viagem no tempo. Elaborando mais um pouco, se vierem mesmo a inventar uma máquina do tempo, ela provavelmente vai precisar de duas “pontas”, e uma máquina em cada ponta. Uma no seu tempo de origem, onde você vai entrar, e uma no tempo de destino, pra você sair.

Só que me diz, qual é a graça dessa merda? A cagada já vai estar feita. Não vai dar pra conhecer nenhuma das pessoas legais da história, ou ver como foram os dinossauros de verdade. Fora que no segundo em que apertarem o último parafuso da máquina, já vai ter uns pangarés chegando do pós-futuro pra encher o saco, salvar a Terra do apocalipse, dar a cura do câncer ou algo do tipo. Então é melhor que nunca inventem nada mesmo, não vale o esforço.

Pois é. Deus é um cara cruel que aparentemente não vai permitir viagens temporais, tenho que me conformar com isso. Mesmo assim, fico na bad em saber que nunca vou ter respostas pra algumas perguntas mongas do meu eu-juvenil. Por exemplo: Einstein era tão gente boa quanto a aparência dele sugeria? Sempre tive um feeling que o Hitler no fundo curtia os judeus; tô certo? Se eu tivesse direito a só uma viagem “com segundas intenções”, o que valeria mais a pena? Catar a Marilyn Monroe ou arriscar a Cleópatra? Ela era nice mesmo ou só uma baranga que o povo endeusava, tipo a Juliana Paes?

Tristeza não poder saber isso.

Albert e eu, festa do Nobel, 1935

Albert e eu, festa do Nobel, 1935

manias que eu não tenho #1

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