ideia sem hífen

quasefilme.com

November 11, 2009 · Leave a Comment

Post pago. Por nós mesmos. Eu e o F. Garrido estamos no final do nosso trabalho de conclusão. E parte já está no ar.

juliana

Quasefilme é uma série de pequenos documentários sobre pessoas, como perfis de personagens. Vamos dar espaço para que cada um conte as histórias que tem, discuta sobre si mesmo e mostre que sua vida daria um filme. Se você assistindo perder a paciência no primeiro minuto, não for com a cara de alguém ou achar que já viu o suficiente, sinta-se a vontade para pular pro próximo, e pro próximo, e pro próximo. Afinal, se todos nós temos histórias legais, por que perder tanto tempo com uma pessoa só, né?

Ou então passe no blog, assista material extra, acompanhe como estão as gravações via twitter e veja a galeria de fotos no flickr. Se não souber se clica aqui ou ali, brincar com as tags tipo “fãs do beatles”, “modelos”, “carecas” e “magrelas” podem te indicar alguém interessante.

Por enquanto, esse mundo encantado (not) ainda não está disponível. Mas subimos, com algum esforço, uma versão promo do site; já dá pra sentir o drama.

Flickr, blog e twitter (segue aí, vai) também estão funcionando.

Nosso primeiro personagem é a Renata Arcoverde, a Rebiscoito. Ele contou do relacionamento dela com pessoas desconhecidas, mostrou como funciona seu sistema de bilhetes para estranhos e até se embananou.

Temos também o Felipe Torretta, que oscila entre modelo, designer, administrador e namorado, entre São Paulo, Paris e Nova York. E quem sabe Milão.

Juliana Boscardin, que chamou o garçom de burro e paga de independente, apesar de morar com a vó.

luciano

O Luciano Cury, com vontade de construir casa na África e discutindo a inutilidade de sua profissão.

Além do aeromoço/vendedor de tintas/músico/viciado em playstation e mais uma galera que pretendemos encontrar. Quanto mais gente, mais legal. Por enquanto, vamos com calma.

Passa lá pra dar uma olhada. E sugestões são muito bem vindas.

→ Leave a CommentCategories: F. Garrido · Lucas Melo
Tagged: , , , , , ,

do apagão:

November 11, 2009 · 1 Comment

Do apagão:

1 – incrível que, por mais que tivesse potencial para isso, o trânsito na região da paulista não virou uma selva de carros. O pessoal tava parando para pedestre atravessar, inclusive.

2 – Meu celularzinho, que não tem t9, não tem câmera, não tem mms, não tem graça (ah, vai, o relógio falante até que é legal), TEM lanterna, o que valeu mais do que mil velas.

3 – a varanda da minha casa nunca pareceu um lugar tão legal para tirar fotos, ainda mais com o Palmeiras iluminado de um azul que não sei de onde vinha.

4 – prédio com luz de emergência funcionando na escada é uma maravilha. Parabéns, síndico.

5 – CBN viveu seus momentos de glória. Foi engraçado ver repórter que já estava em casa passando as informações: “olha, aqui na vila romana não tem luz. Como moro no 14o andar, dá pra ver que os bairros próximos também estão no escuro. Além disso, minha mãe ligou de Piracicaba e informou que o apagão atinge a cidade inteira”.

6 – Todo mundo resolveu passear com o cachorro?

→ 1 CommentCategories: Lucas Melo

Temos um telefonema. alô?

October 25, 2009 · 4 Comments

Fixo. Um net fone. Celular. Acabei de baixar o skype, mais para teste.

Eles estão entre nós, já era. Mas ô aparelho do diabo. Nunca fui grande fã dos telefones, não sei se consigo explicar o porquê. Uso com certa frequência até, por pouco tempo, naquele esquema “tô saindo”, “pode descer”, “qual é o número mesmo?”, “deu certo a parada?” e só. Conversas longas são raras, mas até que aparecem vez ou outra. Meu maior problema é com a burocracia. Sabe aquela história de atender ligação que não é pra você? Ou ter que dar oi, descobrir quem está falando, fazer umas piadinhas pra enfim perceber que não sei quem tá no banho? Xô.

Nunca atendo o telefone aqui em casa, sei que não vai ser pra mim. Alguém pode achar graça em ficar papeando no random, sem assunto, com uma pessoa que você não esperava. Defendo os celulares, que deram um adianto, cortaram os intermediários e os desencontros. Quem vai me ligar, geralmente usa o número do celular, e pra eu discar o número de um telefone de casa é porque a coisa está feia. Posso desencanar também no net fone?

Foi mal tios que curtem fazer vozes, enganar e falar de futebol. Sei que, no fundo, vocês só procuram minha mãe. Ir até o telefone só para ser ser o portador das bad news não parece animador. De quebra, ainda evito os vendedores de planos incríveis do cartão de crédito e os sérios que perguntam pelo responsável pela residência. Mas não preciso encarar esse meu desapego com tanta frequência; no final, falo com pouca gente.

Os telefonemas (quem diria?) me deram muitas alegrias essas últimas semanas.

Primeiro, teve a japa falando inglês procurando qualquer pessoa do departamento de marketing. Nada como receber um “he-rô” seguindo o seu alô despretensioso

Depois, a moça que insistia que tinha discado pro sesc pompeia.

(…)
- Mas eu liguei semana passada. Preciso do sinal do fax
- desculpa, mas disse que aqui não é o sesc pompeia.
- Não, eu liguei, era esse número. é do sesc pompeia.
- mas aqui não é o sesc pompeia
(…)
- mas aqui não é o sesc pompeia
(…)
- mas aqui não é o sesc pompeia

Um cara ligou de um interiorzão de Pernambuco dizendo que era do jornal não sei blabla, estava sem internet e precisava que eu confirmasse os horários de reprises de uns programas. Errado ele não estava, mas curti a parte do “estamos sem internet”.

Fora o outro que ligou pra tv essa semana – a história não é minha – pedindo pra participar do Barraco Mtv que estava no ar. A reprise fazia parte da programação especial de aniversário, o programa tinha sido exibido faz uns 10 anos. A Soninha apresentando, o Tiago Leifert “estudante de jornalismo” e propaganda de bip motorola. Fora o visual velhão. O gênio não percebeu que era antigo, viu o número – que continua o mesmo – na tela e ligou.

“poxa, que pena que eu perdi, queria tanto falar sobre esse tema”.

decidi instalar o skype pra ver se pego mais uma ligações desse tipo também.
(e bip, cara, bip…)

→ 4 CommentsCategories: Lucas Melo
Tagged: , , , ,

Os homens placa invadiram a cidade

October 12, 2009 · 4 Comments

Segunda-feira, feriado. Enquanto os paulistanos tomam sorvetes e admiram as ondas de Ubatuba, São Paulo é invadida. Milhares de homens placa saem de suas casas bem cedo, penduram setas indicando maravilhosos prédios em construção e se posicionam em esquinas estratégicas para apontar o caminho da felicidade, da casa dos sonhos.

Estávamos acostumados com os banners de ofertas exageradas dos prédios lindos com churrasqueira na varanda. Nos finais de semana, pipocavam essas propagandas pela cidade e era bem fácil topar com gente balançando bandeiras coloridas em frente aos estandes com “corretores no local”. Apartamentos decorados, maquetes, vendedores piadistas: era claro que nossos filhos viveriam contentes em qualquer condomínio daqueles.

Foi o Kassab aprovar a Lei Cidade Limpa para o mundo dos sonhos desmoronar. Raspar a cabeça pode? Não. Colocar placa de prédio pode? Também não. Ferrou. Os lindos imóveis estavam lá a nossa espera, mas não tinha jeito de nos avisar disso. Esperto, o senhor Tecnisa teve uma ideia: pega um mano daqueles do “compra-se ouro”, troca a placa dele, tira do centro e joga em Perdizes. Você topa, sr vende ouro? Topo, topo sim, por que não? Vamo cair pra dentro.

E agora é assim, tudo voltou ao normal, podemos novamente encontrar a morada do sonhos. E mais do que placas tristes e solitárias, agora elas são personificadas. Tipo amigos indicando o que vai ser melhor pra gente. Não há profissão mais altruísta, o cara fica ali só esperando para ajudar alguém, dar o caminho. Um pastor do mercado imobiliário.

Mas esse não é um trabalho fácil, minha gente. Virou de lado pra ver uma gostosa? Olhou pra trás porque ouviu uma buzina? Abaixou para amarrar os sapatos? Pronto, indicou a rua errada. Pelo menos dá pra ficar balançando a placa de um lado pro outro, pra fazer as 10 horas de turno passarem rapidamente.

Sério, pagar 20 reais pro mano passar a tarde segurando uma seta é brincadeira de péssimo gosto. E é claro que todos eles ficam com uma cara de merda olhando pro nada, em contraste com a oferta dos sonhos que penduram no pescoço. Imaginava morar nesse prédio tão maravilhoso que contrata gente fudida pra ganhar 20 reais e passar a tarde tomando sol com uma seta vermelha gigante na barriga? Imaginava, imaginava sim. Depois dos remédios e dos cosméticos, o peta que me perdoe, mas façamos essa maldade com os animais. Amarra o cachorro na esquina, veste uma roupinha engraçadinha com a propaganda e pronto. Deixa o homem placa ir pra Ubatuba.

Como homenagem, aqui vai uma galeria de fotos que juntei desses personagens heróicos.

→ 4 CommentsCategories: Lucas Melo
Tagged: , , ,

“Graças a Deus, né?”

October 6, 2009 · 5 Comments

Tenho a impressão que ateus e agnósticos crescem em número a cada dia.

Quando eu era menor, pensava que todo mundo era religioso. Pensava que até eu era religioso, afinal fazia catequismo e primeira comunhão e tudo isso. Tudo bem que isso rolava imediatamente antes do treino de futebol e eu admito que eu pensava mais na belas jogadas que eu tentaria por em prática em quadra do que na ressureição.

Mas depois fui me esquecendo disso, percebi que na real eu não era nada religioso. Entendo que crer em algo superior a todos nós é uma necessidade humana quase inerente a nossa existência. Entendo que acreditar piamente em algo, dar um salto de fé, é a receita para um certo alívio imediato sobre as questões que não sabemos responder, mas ao mesmo tempo é tudo muito sem sentido, bate de frente com qualquer lógica com a qual possa concordar. Não compro a ideia de religião, assim como não compro a ideia dos placebos e dos remédios homeopáticos. E é quando percebemos que tem um monte de gente que pensa igual.

Não quero fazer parte dos que são anti-religião, porque isso é idiota. Mas muito me parece que as pessoas cada vez mais estão de boa com tudo isso. É só uma constatação, uma conclusão que me parece óbvia, mas pode não ser, não sei.

Não tenho problemas com a religiosidade das pessoas, não fico tentando convencer que a Igreja é coisa inventada pelos homens, que ela é mais uma parada de controle de massas que qualquer outra coisa, não prego que todos os padres são pedófilos, que JC não existiu, que estamos sozinhos aqui, nem nada.

Cada um tem a sua fé e ok, assim nós vamos. Mas admito que algumas poucas coisas me incomodam nisso tudo de Deus e o Diabo na terra do sol.

Logo que eu passei no vestibular estava em alguma festa. Era parabéns pra lá, parabéns pra cá, até que alguém me abraça e fala “Ah, você passou no vestibular? Graças a Deus, né?”. Poxa, não sabia que eu canalizava essa parada de O Todo Poderoso em mim. Desculpa ai, mas não foi Deus que marcou A, B, C, D ou E nas cento e poucas questões não. Vou ser pouco modesto dessa vez e falar que esse trabalho foi todo meu mesmo.

É a mesma coisa quando as pessoas te cumprimentam e falam “Amém”. Fico muito sem saber o que fazer nessas situações. Não quero falar “Amém” de volta sendo que não curto a parada. Mas se eu não falo a pessoa pode achar que preciso de um exorcismo ou me achar do mal e mal educado? Sei lá. É tipo quando você encontra alguém e não sabe se cumprimenta com um beijo ou um aperto de mão ou um tapinha nas costas.

Assim como não gosto de estar em igrejas. É tudo muito bonito pra alguns, mas pra mim não rola. Não gosto de vitrais e das cores loucas que eles fazem a luz ficar, não gosto de ajoelhar, sentar e levantar toda vez que alguém em um palquinho me pede para fazê-lo, mas principalmente, não gosto de pessoas crucificadas de 20 metros pintadas sobre a minha cabeça.

Foi mal, J-man, sei que você é O cara aparentemente, mas eu não gosto de ficar olhando pra você, não me leve a mal.

Texto: F. Garrido

→ 5 CommentsCategories: F. Garrido
Tagged: , , , ,

Fazer rir

October 5, 2009 · 4 Comments

O que é ser legal? O que te torna relevante para o mundo, para as pessoas ao ser redor? Sim, isso é uma discussão idiota e infrutífera, tipo tentar descobrir o sentido da vida ou qual a definição de arte. Mas ok, isso não tira a graça de discuti-la mesmo assim.

Não sei o que me torna legal, não sei o que te torna legal, não sei o que me faz querer ver as pessoas que eu quero ver, mas desconfio que seja o potencial de ser engraçado delas. What the fuck? Explico.

Fazer rir é muito mais difícil que fazer chorar. Palavras machucam e fazem pessoas sofrer, é fácil articular alguma frase cruel pra fazer alguém ficar na bad forte no mesmo momento. Mas fazer/falar/pensar em alguma coisa realmente engraçada é infinitamente mais complicado.

Existem aquelas pessoas que contam piadas, daquelas que começam com “tinha um português, um japonês e um brasileiro em um avião…”. Mas esse tipo de piada nunca será engraçada. Já não gosto de você por contar essa piada, desculpa. Não existe nada pior que piadas prontas, sério mesmo. Saber contar piadas não torna ninguém realmente engraçado, como pensa a maioria das pessoas.

É bom fazer pessoas rirem de verdade com alguma boa história, com alguma boa tirada. Causa uma boa sensação dentro de você. E esses momentos de gargalhada não são tão comuns assim. Claro que existem pessoas e pessoas, umas mais felizes que outras, umas que riem muito mais que outras. Mas rir sempre é uma coisa, rir de verdade, de gargalhar e chorar de rir são outras.

Não sei o que procuro em pessoas, não sei o que de fato me faz gostar de alguém. Mas a capacidade de me fazer rir e gargalhar, seja com boas histórias ou um jeito curioso de fazer as coisas, é o que pega logo de primeira, eu acho.

Senso de humor diferenciado é o maior afrodisíaco que existe. E gargalhar é o orgasmo das boas conversas.

Texto: F. Garrido

→ 4 CommentsCategories: F. Garrido
Tagged: , , , ,

Aquele post sobre morte e religião … mas sem religião dessa vez

September 23, 2009 · 6 Comments

Pessoas tem medo de tudo. Uns de cachorros, outros de avião, outros de iorgurte e alguns de espíritos. Quando era menor eu era medroso, tinha medo de pular a cerca do meu prédio, que tinha aquelas lanças pontiagudas. Um amigo tinha uma cicatriz enorme na barriga por ter pulado errado a parada e tinha ficado preso na maldita lança do mal. Então a lembrança da cicatriz me botava medo.

Ok, depois aprendi que tinha que ser muito burro pra ficar preso na grade e que com cuidado era muito sussa pular a tal cerca. Foi um grito de liberdade o pulo da cerca, mesmo que fosse infinitamente mais fácil andar 20 metros pro lado e sair do prédio pelo portão de pedestres, como qualquer ser inteligente faria.

Mas enfim… nunca fiquei preso, minha barriga não tem cicatriz nenhuma e o medo de lanças se foi. Mas um dos medos que nunca se vai é o de desconhecer o fim disso aqui. Não do post, nem do blog, mas disso aqui tudo. Tudo isso que é conhecido como F. Garrido.

Eu antes falava que eu tinha medo de morrer, mas pensando melhor sobre o assunto, não sei se é a melhor forma de explicar essa parada. Não tenho medo exatamente de morrer agora, daqui cinco minutos ou amanhã ou daqui a 60 anos. Não tenho medo de morrer queimado, afogado, com um tiro ou coisas do tipo (embora todas essas alternativas se enquadrem no time das coisas desagradáveis), mas me angustia pensar que ok, morri e acabou e só.

Não me refiro a querer fazer algo que deixe um legado por aqui, ser famoso para que se lembrem de mim nem nada disso. É mais uma parada egoísta mesmo. Não queria só morrer e pronto. Tipo tudo o que eu vivi se vai a partir do momento que eu morro? Poxa, Universo, not nice esse seu desfecho, hein? Se eu pudesse escolher, queria que quando morresse pudesse ficar lembrando das coisas. O que me dá medo é isso: vivemos um monte de coisas aqui para simplesmente esquecer depois. A morte, me parece, é tipo um Alzheimer anunciado. E como todos podemos imaginar, Alzheimer não é nada legal, anunciado ou não.

Texto: F. Garrido

→ 6 CommentsCategories: F. Garrido
Tagged: , , , ,

o cara manja

September 19, 2009 · 1 Comment

-tô escrevendo um post lá pro blog.

Legal, efe, tá mó parado.

-É sobre morte e religião.

uau, boa, efe.

Sugestões para outros posts:
- O possível meio termo no oriente médio.
- A questão do pré-sal passada a limpo
- As merendas do Kassab
- Aborto, uma questão de saúde pública?

aguardem

(o compromisso existe. mas pode ser que agora ele fique ofendido e desista de escrever)

→ 1 CommentCategories: Lucas Melo
Tagged: , ,

Belo dia para comer tortas

September 9, 2009 · 5 Comments

“Belo dia para comer tortas” pensei um pouco antes de sair do trabalho. Chovia muito. O mundo brincava de imitar o clipe de No Surprises e ia enchendo aos poucos. Um alagamento na marginal, carros boiando, árvores caindo…. belo dia para comer tortas. Mudei de ideia. Virou um belo dia para comer no McDonalds. E o raciocínio foi simples: as tortas viraram cinema, o horário da sessão obrigou um lanche rápido, pronto, McDonalds. Como diria o Efe (e o Evandro Mesquita) “ok, você venceu, batatas fritas”.

Cheguei no Mc e dei de cara com um cronômetro regressivo: se não entregarmos seu pedido em 60 segundos, você ganha um Big Mac. Em cima, um botão vermelho, estilo passa ou repassa. Já vi que seria divertido, espírito de competição é o que liga. “vai, pede alguma coisa que eles não têm pronto” Não, maldade demais, vou ver o que tô com vontade. Bacon, isso, me vê esse de bacon! Posso apertar o botão? Não, calma, eu preciso registrar o pedido. Sua senha. Pronto, pode apertar. E aí faltou o Gugu aparecer atrás do balcão e mandar o valenduuuuuu.

60, 59, 58….

correria

Deu pra ver que o bacon foi a pedida certa. Ou errada.

55, 46, 34… caras de desespero

É, não vai dar. Como assim? Ainda faltam 30 segundos! É, mas não vai dar.

Foi levar na ponta dos dedos, como diria Galvão, até o cronômetro zerar e emitir a sirene da vitória.

Iuhuuu. Vem, Vem, Vem, Big Mac, Vem! Toma essa, McDonalds, eu te deixei em ruínas, cara. A máquina do capitalismo estava agonizando à minha frente.

Foi quando percebi que minha dancinha de comemoração parecia inapropriada. Não eram os arcos dourados que definhavam, era a atendente, triste por perder a competiçãozinha escrota contra o relógio. Pior que isso, tava na cara que a culpa era da cozinha, não dela. Fiquei mais sério. Ela e sua ajudante preparavam o resto do lanche e separavam o Big Mac de prêmio. Fiz umas piadinhas, mas tava na cara que aquilo não era tão legal.

Pobres atendentes do McDonalds, que precisam vestir boné, camisa, calça, cinto E tênis de uniforme. Que têm que ficar naquele calor e receber clientes devolvendo suas cocas “com gosto horrível, que não dá nem pra tomar”. E que sentem aquele cheiro bom o dia todo, até ficar insuportável. Agora eles ainda devem encarar essa brincadeirinha estilo passa ou repassa. Que fase, amigo. E eu ainda comemorei o Big Mac. Rá, funcionária ineficiente, perdeu! O próximo desafio vai envolver cuspe na cara dos funcionários, tenho certeza.

E eu saio feliz da vida porque, graças à falta de competência, ganhei um lanche. de grátis.

E ela fica lá, se lamentando. Tentando ser melhor pro próximo cliente.

Amando muito tudo isso.

→ 5 CommentsCategories: Lucas Melo
Tagged: , , , ,

weee are the champions, my friend

August 27, 2009 · 2 Comments

Meu primo se formou.

Semanas depois da apresentação do tcc, veio a colação de grau pra oficializar o fim do ensino superior. E já começa chata por aí, cerimônia e oficial são palavras que fazem passar o filme do brega na cabeça de qualquer um. E o filme do tédio também. E o do brega X tédio (no final, eles percebem que seu destino é permanecerem juntos).

Lá fui eu, clube chique, Ibirapuera, engravatados, roupinhas de formando, decoração medonha com panos coloridos, flores e tapete vermelho. Lindos cenários para fotografias no fundo do salão.

Entrei, sentei na cadeirinha de plástico-festa-de-formatura com paninho-colorido-de-formatura por cima para disfarçar. A música bombava. Lá na frente, uma mina toda arrumada e um mano igual ao Maradona cantavam só clássicos. Vanessa da Mata aqui, O Rappa ali. No início da coisa toda, uma música religiosa para… não sei pra que. Depois abraçaram de novo a Ivete Sangalo e mandaram ver. Eles e aquele mestre de cerimônias que era louco para falar bonito, emocionar parentes e tornar o momento único.

Careta.

Mas quem vai numa colação de grau e espera um evento interessante, né? Tá certo que é mó desperdício, ainda mais contando que os formandos eram todos de cursos de artes, mas imprevisível nunca foi. O problema é que, não sei por onde começou, mas forma e conteúdo são exagerados, frescos e cobertos por uma pompa podre. Pobres garotos e garotas formandos respiram esse maldito ar solene e começam a se comportar como seus avós terminando a escola de engenharia. Ou bisávos. Ou direito.

Sério, maldição. Pra que aquela história de “foi muito difícil conseguir (…) tantas noites mal dormidas (…) apoio dos colegas (…) conhecimento que vamos usar a vida toda (…)”. Pô, primeiro que a faculdade não é senhora do conhecimento. Depois, tão difícil assim? Noites mal dormidas? Bebedeiras, trabalhos nas coxas, faltas, e a arte de enrolar professores ninguém lembra. Sem desmerecer o feito, que realmente tá lá, mas pega esse diploma, coloca embaixo do braço e vamo aí.

Coroa.

Ponto alto da história é a participação de uma vovozinha simpática, escolhida para ser homenageada. Não entendi direito o porquê, mas tiraram a velhinha sorridente do seu lugar e mandaram a coitada pegar flores lá na frente. Bem do lado do Maradona. Emocionada? Feliz pelo neto? Diz aí, vovó: “Ai, meu deus, olha o que vocês aprontaram comigo”.

No tapete vermelho, caminho de volta: “Socorro. Me salvem!”. Ela via a palhaçada.

E a plateia aplaudia com os olhos marejados a vovó e o buquê caminhando até sua cadeira branca.

Agradecimento do professor blablabla-principal-eu-sou-foda. Champagne no palco. Sobe música. Chapeuzinhos pra cima.

Na saída, consegui tirar minhas últimas fotos pra aproveitar o cenário bonito. E vazei prum jantar delicioso.

→ 2 CommentsCategories: Lucas Melo
Tagged: , , , , ,