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Sobre as pequenas coisas

Eu gosto das coisas pequenas. Dos pequenos gestos. Dos pequenos jeitos. Das pequenas manias.

Quem não fica quieto e observa o mundo em volta de vez em quando perde essas paradas e isso não é legal. A não ser que você não ligue pra essas coisas, é claro, mas daí você pode cair no meu conceito, foi mal.

O que seria do mundo sem os pequenos trejeitos? Uma frase sempre usada é aquela que diz “que graça teríamos se fossemos todos iguais”, sabe? Mas eu vou além, porque assim é mais legal, e digo: que graça teríamos sem as manias, os TOCs sagrados de cada um, os jeitos irritantes?

Claro que o que eu acho adorável nas pessoas hoje pode ser o que vai me fazer xingar as famílias inteiras delas depois, mas quem se importa? O agora é que importa. Eu acho…

Os pequenos detalhes sempre ficam mais na memória que os grandes feitos ou os grandes acontecimentos. Os visuais principalmente. Imagens são sempre muito facilmente graváveis. Um snapshot de um momento, de uma cena. Sons e cheiros funcionam como gatilhos de memórias, mas as imagens, elas vem sozinhas, sem precisar de um catalisador específico. Como aquele sorriso genial depois de uma piada ou depois de algo inesperado.

As pequenas manias e jeitos também são coisas legais de se ter. Você não tem um? Arranje. Sério. Pode ser destruir apoiadores de copos até eles virarem pequenos pedaços de papelão na mesa do bar. Pode ser ficar mexendo na barba, quem sabe até arrancar algumas? Pode ser bater no coleguinha quando ver um fusca azul. Pode ser até bater os dentes durante o sono. Isso faz a diferença.

Eu por exemplo faço duas coisas:

1. Playlists. É isso ai. Curto organização e não nego. Faço playlists e tenho meio TOC com elas. Não gosto de sair de uma sem terminar ela antes. A que está rolando agora é meio infinita e tem 16 mil e tantas músicas. To perto das 2 mil e contando. Vai demorar pra terminar? Sim. Vai tocar músicas ruins pra aquele dia e eu vou pular? Sim. Eu me importo? Não. Ihuuuu!!!

TOC musical é isso aí!

2. Bolinhas de guardanapo. É bonito? Não. É ecológico? Nope. Mas me contenta? Sim, senhor. Alguém talvez ache legal e meio gracioso, vai saber.

Bolinhas rules!

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nada não…

Rir é um assunto recorrente por aqui. Embora seja geralmente o cara quieto e reservado que raramente exterioriza as paradas internas, vou deixar isso de lado e dizer que poucas coisas me fazem pensar e refletir tanto sobre alguma relação quanto as risadas.

Se fazer rir é difícil e uma meta sempre a ser alcançada na minha relação com as outras pessoas, me fazer rir é ainda mais difícil. Não porque eu seja exigente nem nada do tipo, mas que não existem tantas coisas realmente engraçadas por ai. Senso de humor peculiar é uma característica que atrai tanto quanto repele. Não é todo mundo que vai rir daquela minha piada com a menina estranha da faculdade, assim como não serei eu que vou rir da sua piada do português, do americano e do japonês no avião, foi mal, isso é só idiota.

Rá! Eu riria dessa frase, se alguém a falasse na minha frente pra você.

Mas enfim, eu gosto das pessoas que estão a minha volta porque elas me fazem rir. É tipo um pré-requisito. Sim, de certa forma, isso é uma maneira egoísta e mini arrogante de ver as pessoas, o mundo e as relações, mas todos somos assim em algum nível, não? A tentativa de baixar esses “parâmetros de qualidade” pode ser algo bom em um futuro próximo, em um futuro mais maduro, mais bem resolvido (e espero, ainda bem-humorado), mas por enquanto, enquanto esse futuro é somente um futuro e não um presente, eu continuo a usar esses filtros. E eles funcionam.

E é bom quando as risadas não são só minhas. Risadas simultâneas, cara. Melhor que rir sozinho ou fazer outro rir é dar risada com alguém. É reconfortante. Rir e ver alguém rindo junto é tipo um guilty pleasure no sentido que sempre me lembra propagandas felizes, com pessoas felizes em momentos felizes. E aquele mini momento é a coisa mais efêmera do mundo talvez mas eu curto as mini alegrias dos dias.

E essas paradas eu acabo lembrando em vários momentos, cuja consequência é um sorriso, que muitas vezes saem em momentos nada propícios, que por sua vez, levam a sempre insistente pergunta “o que foi?”. Cuja resposta, na minha maneira calada de ser, invariavelmente é o bom e velho “nada não”.

E daí eu sorrio de novo. Geralmente pensando naquela risada simultânea.

Sobre sorrisos grátis

Mais uma visita surpresa ao hospital. Não é nada grave, ninguém morreu e nada aconteceu. É só pra explicar como todo esse pensamento surgiu. Hospitais são lugares engraçados. Eles colocam grandes placas dizendo que acompanhantes não podem permanecer junto dos pacientes e blablabla. Mas em dias como esse, domingo de noite com pouca gente, tudo é permitido. Onde antes eu não poderia pisar agora eu posso até sapatear se assim eu quiser e souber.

Ok. Isso não vem ao caso. A questão é que estava lá ocupando uma cadeira/maca quando chega um casal com uma filhinha doente, chorando e com cara de resfriada. Óóóuuunnn, tadinha dela. Sim, eu pensei isso. Vendo que não tinham duas cadeiras juntas, levantei, coloquei meu melhor sorriso de simpatia e disse que eles podiam sentar juntos ali.

Os dois agradeceram e sentaram com a menininha, que chorou e fez o diabo pra tomar umas gotinhas na boca (grow up, né?!). Na saída, a mulher levantou e disse um “muito obrigado” sorridente, feliz e sincero. Tudo isso em retribuição ao meu gesto gentil e ao meu sorriso gratuito.

Claro que essa é uma situação que muita gente passa diariamente, ao dar o assento pra velhinha no metro ou no ônibus, ou sei la em qual situação. Mas a questão aqui é que fiquei pensando que sorrir mais pras pessoas alheias faz bem. Não preciso andar sempre com uma cara de mal humor, embora isso possa funcionar muito bem como um charme pessoal. Ser simpático, sorrir, fazer mini boas ações podem te fazer bem. Fazem bem pros outros e te fazem bem, então porque não fazer mais?

Claro que isso é um paradoxo muito louco. Porque é muito mais fácil ser simpático e distribuir sorrisos grátis pra desconhecidos, tipo o casal + filhinha do hospital do que fingir um sorriso praquela colega de trabalho idiota e imbecil, ou o segurança do prédio que se acha no direito de barrar pessoas por falta de um cartão estúpido ou pessoas desse tipo, que dominam essa terra bizarra.

Mas ao mesmo tempo que é mais fácil ser legal com desconhecidos na teoria, criar de fato essa conexão mínima (já que são seus músculos da face fazendo o mínimo esforço) é muito difícil. Falta vontade, falta empatia, falta alguma coisa pra isso se tornar um hábito.

Talvez esteja na hora de quebrar essa barreira. Sorrir mais. Essa é a nova missão. Reporto resultados depois de um tempo.