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Jamie & F ?

Não ter o que fazer da vida traz consequências muito peculiares pras pessoas, não? No meu caso o pior que isso traz é a tendência a dormir cada vez menos e cada vez pior.

Fluxos de pensamentos vem com mais frequência quando não existem obrigações ou afazeres que te cansam, que te obrigam a descansar, a dormir relativamente cedo, que te fazem ter uma mínima rotina. Não ter isso dá asas aos pensamentos. O que de certa maneira é bom mas ao mesmo tempo te privam de qualquer sistemática organizacional, o que basicamente significa foder o seu corpo.

Não durmo direito faz umas semanas.

Deitar e dormir logo nunca foi uma característica marcante da minha pessoa mas tudo isso está se agravando agora. Dormir é solitário. Não dormir é mais ainda. Há só um tanto que posso ficar descobrindo na internet ou na televisão.

Uma atividade antes muito prazerosa, a de ficar no computador baixando e ouvindo música começa a se tornar a única rotina que eu tenho. E como todos sabemos, a rotina não costuma levar ao prazer e sim ao comum, à repetição e à exaustão.

Não que eu não curta mais você, computador. Nem você, internet. Mas poxa, começo a pensar que dormir de fato é gostoso. Queria eu ter dado valor antes.
Ocupar o dia com tarefas pode ser uma solução. Já pensei em ir correr. Mas eu canso disso. Queria jogar futebol a tarde toda, assim ficaria cansado, mas pra isso preciso de mais pessoas tão ou mais desocupadas do que eu, o que não é fácil de se arranjar. Poderia ir fazer aula de alguma coisa, tipo alemão ou espanhol ou francês ou então um instrumento musical, mas a vontade não é tão grande assim. Sei que “tipo” em espanhol é “cara” e sei tocar o comecinho de Come As You Are numa guitarra caso um dia a minha vida dependa disso, então por enquanto to sussa.

To pensando seriamente em começar tipo uma maratona culinária, afinal se tem uma coisa que nunca me cansa, essa coisa é comer. Uma parada meio Julie & Julia. Outro dia rolou uma troca de livros de culinária e acho que isso me inspirou. Mas talvez eu vá radicalizar e vá direto pra comidas mais ousadas, tipo gregas, árabes, mediterrâneas, nórdicas… Ou não. Talvez eu fique só fazendo o que eu já sei mesmo. Ovo frito e pão-de-mel. Combinação dos campeões.

Dormir é que é difícil

Dificuldade pra dormir não é uma coisa muito legal. Eu não tenho um problema crônico, que precise de remédios ou coisas do tipo. Conheço pessoas que necessitam disso e em nada somos parecidos. Simplesmente nunca  consegui direito atrair o sono para a minha pessoa.

O dormir em si é normal, sonhos acontecem com regularidade, dos mais variados tipos, formatos, estruturas e tudo o mais. O que incomoda é o pré-sonhar, é a antecipação do ato de pegar no sono. O colocar a cabeça no travesseiro deveria ser algo relaxante, o momento de esquecer tudo e abraçar o mundo louco dos devaneios, curtir um r.e.m e esperar por aquele reboot do corpo pro dia seguinte nascer feliz.

Mas nem sempre é assim. Isso porque nossos cérebros não vieram com um interruptor on/off embutido. Fluxo constante de pensamento é uma merda, ainda mais quando algo te preocupa, algo te incomoda, algo te intriga. Então o momento do colocar a cabeça no travesseiro só serve pra exacerbar esse fluxo louco. Você acaba indo dormir pensando e eu não sei o quanto isso de fato é saudável pras pessoas.

A internet é um ótimo remédio contra a falta de sono, mas ela cansa as vezes. Quando não tem ninguém mais pra conversar com você ciberneticamente e é muito tarde para ligar para pessoas o que resta é virar para a TV. A madrugada tem coisas boas e coisas ruins. Tipo um especial de A Prova de Tudo ou Pesca Mortal ou então um episódio louco de Double Shot At Love. Mas dai geralmente tudo que é interessante (nem que seja tosco interessante) passa no mesmo horário. Acaba e passa o que? Leilão de joias! Ok, você venceu, travesseiro here i go.

Mas o fluxo está lá, tipo uma hemorragia que não pode ser controlada. Música? Sportv News? Nada. Só eu, eu mesmo e o travesseiro. Milhões de porques pipocam. Milhões de possíveis cenários. Milhões de possíveis respostas. Milhões de possíveis futuros em milhões de diferentes assuntos. Assim funciona a highway da racionalização.

Eventualmente o sono vem, de surpresa, no meio daquela solução para todos os problemas. Acho que as sinapses já deram o que tinham que dar.

A consequência de dormir pensando demais é o acordar cada vez mais perdido do Brasil. Sabe a ressaca? Acordar sem saber onde está, o que fez, o que deveria estar fazendo ou o que se programou pra fazer? Isso é decorrência da estafa mental, catalizada pelo maravilhoso mundo do álcool etílico obviamente.

Mas é ruim quando se acorda depois de dias normais, quando tudo o que fez  foi curtir uma internet, ler e assistir TV. Acordar precisando de alguns minutos para se localizar no mundo, no seu próprio espaço-tempo é algo que é meio novo. Antes o método perfeito pra acordar elétrico era com o alarme no celular no volume máximo setado para tocar Jump do Van Halen, cujo barulho inicial é agudo e alto e barulhento e faz o coração disparar. Uma boa música, uma boa escolha. Acordava acelerado, sabendo o que tinha pra fazer. Acordar assustado não é a vibe mais comum, mas funciona maravilhosamente bem.

Mas como tudo na vida, o costume de acordar assim acabou com a eficácia da parada toda. Assim, o esquema foi partir para um despertador-rádio-relógio alto pra cacete. Ele fez o que devia. Mas a magia foi efêmera. E agora?

Continuo acordando com o barulho alto e chato dele, mas meu coração não mais se assusta e não mais bombeia sangue pro resto do corpo com a velocidade anterior, fudendo o acordar, me fazendo sentir um perdido bêbado sem ter bebido.

Quem dera tivesse ficado só com o problema ao dormir. Talvez aprender a dormir melhor, aprender a forçar o cérebro a parar de pensar, resolva a parte 2 do problema.

A questão é: o travesseiro é afinal o lugar perfeito para por tudo em panos limpos consigo mesmo? Ou deveria apostar minhas fichas numa loura gelada?

Texto: F. Garrido

(insira som de bocejo aqui)

Eu não me auto-policio muito bem. E isso é em relação a quase tudo que se passa no meu cotidiano. “Não vou comer aperitivo de carne com creme de alho” , “Não vou beber cerveja” , “Não, eu não POSSO beber cerveja” , “Não vou mandar mensagem” , “Não vou dormir as 4 da manhã”. Eu falo isso tudo mas nunca dá certo. Falo da boca pra fora, mesmo que dentro da minha cabeça eu esteja 100% dedicado a fazer funcionar.

Voltei, depois de 2 semestres inteiros, a sentar a bunda uma cadeira para assistir a uma aula. Fuck! Aula de noite, bom horário, sussa. Não vou dormir nem fudendo, pensei comigo mesmo. Eu tenho um sério problema em dormir em aulas.

Desde o colégio, quando o estimado professor Rubens me acordou em meio a sua bela aula de história para risos gerais, até quando entrei para o maravilhoso mundo da faculdade. Dos primeiros dias na faculdade lembro de duas passagens marcantes:

1. primeira fileira (Rá! Erro de principiante!): sono > pescadas > dormida. E acordei com o professor tropeçando no meu pé, que estava estendido. Em minha defesa, eram 8 da manhã, e a aula sempre tinha um filme projetado, logo a sala era escura e por isso ele não me viu ali. Ou então ele viu e optou por um método bem estúpido de me tirar do sonho bom;

2. última fileira (Rá! Experiência!): sono > pescadas > dormida. E acordo gritando (AHRRR!!!!), assustado com algum sonho idiota que vinha tendo, um clássico ataque de pessoas que dormem mal e porcamente. Fuck, e a vergonha?

Lembrei disso porque, como havia posto, ontem voltei para o meio acadêmico, na busca incessante pelos derradeiros créditos que me darão direito a sair da faculdade, e a primeira coisa que eu fiz quando sentei na confortável cadeira do Instituto de Astronomia foi… bocejar.

Muy peligroso!

Eu não vou dormir, repeti para o meu próprio ser. Mas em vão. Deu 10 minutos e estava pescando. Pescando forte. Acordei com movimentos bruscos de braço, um pré-grito se assim quiser. Fuck! Se estivesse sonhando mais forte acordaria no grito de fato, num dos ataques ridículos… e nunca mais teria a moral de por os pés na sala para descobrir as respostas para a vida no contexto cósmico…

… sim, essa era a aula… e sim, eu acredito em vida extraterrestre. Você não?

um dos meus famosos desenhos de ETs

um dos meus famosos desenhos de ETs

Texto e desenho: F. Garrido

Ao som de “The Wrestler” (Bruce Springsteen) + “15 Step” (Radiohead)