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o queijo

meu pai entrou há um tempo na vibe de estudar a história de são paulo. Começou juntando umas fotografias, comprou uns livros, foi até a estação de trem de Paranapiacaba algumas vezes. Contava pra todo mundo, estudava. Depois, trouxe pra São Paulo mesmo, nos finais de semana em que não iam pra Ibiúna, escolhia um programa desses de turismo revival aqui em São Paulo.  Duas semanas atrás, tava lá no mosteiro de São Bento, que abriu umas áreas meio secretas para visitação.

eu, parte terapia, acabo nunca indo, embora ache que devesse.

Nessa semana do queijo, ele foi ao mercado municipal com minha mãe, minha vó e meu irmão. Deram um rolê gigante, comeram por lá, ficaram estressados com a fila das barracas e me ligaram pra saber se queria comida. Meu pai fez duas compras principais: um pacote de castanhas de caju, que ele adora, e um queijo gigante. Sabe aquelas peças enormes, pesadas e caras que ficam junto com os acepipes no bar? Você arranca um pedaço por cima, quase cavando. Trouxe todo feliz o queijo fedorento, já com a “tampa” aberta e até uma cordinha instalada pra facilitar a abertura. Tava mó animado com o queijo, que virou gozação. Meu irmão pegou a faca pra escrever a data (estamos confiantes que vai demorar pra acabar) e minha mãe fez piadinhas com o preço. É tipo a lixeira milionária que ele comprou e depois desistiu.

fato é que o queijo tá lá perto da área de serviço, do lado da geladeira, fedendo e rendendo piada. Mas é mó gostoso.

Do outro lado da cozinha fica a máquina de café. Eles acabaram de comprar mais cápsulas de nespresso. Meu pai foi até a loja pela primeira vez, e se atrapalhou lá entre os vários blends disponíveis, sem saber direito o que gosta. Meu irmão ficou se gabando que salvou a compra, porque só ele sabia o cpf da minha mãe para resgatar o cadastro. “Pra que cadastro, se eles não me dão nenhum benefício?””a livraria cultura pede cadastro, mas me dão descontos a cada 100 reais que gasto”. Trouxeram blends variados, um pouco de cada. Estabelecemos que vamos, a partir de agora, deixar um caderninho do lado da máquina de café para registrar as impressões de cada um e descobrir do que a gente gosta mais.

Eu, que sempre gostei mais de coca cola, já disse que prefiro os mais torrados. mas vou continuar anotando no caderninho.

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eu e a bruna andamos conversando sobre queijo por email.

mudei um pouco o que escrevi e trouxe pra cá.

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Sobre cerveja, cigarro e café

Não sou apreciador de café. Experimentei quando era menor, não curti o gosto e não gosto do cheiro, que quase todo mundo fala que é bom, mesmo as pessoas que não bebem do líquido escuro. Não sinto falta da parada cafeína no meu sistema, mas as vezes penso que se tomasse café poderia interagir mais com pessoas. Porque café é como cerveja e cigarro: fator de agregação.

É como chegar em um churrasco ou em uma festa e ver todo mundo bebendo refrigerante, caipirinha, bebericando um whisky maroto e daí você vê outra pessoa com uma roda de garrafas ou latinhas vazias ao redor. Logo você cola lá, pega uma gelada e começa a interação daqueles que só bebem cerveja.

Com cigarro é a mesma coisa, num nível diferente. Fumantes são marginalizados. Mas tem sempre um grupinho deles em um canto. Pedir cigarro ou isqueiro sempre pode ser um start para uma conversa.

É claro que as probabilidades do cara da cerveja ou da pessoa com o câncer eminente serem completos idiotas é grande (não porque eles bebem ou fumam, claro que não, mas porque pessoas são assim mesmo, fazer o que?)… ok, mas isso não vem ao caso.

A questão é café e que ele também é um fator de agregação. “Vamos tomar um café?” deve ser uma das frases mais ditas da história Claro que eu posso ir e beber um suco (de limão) ou uma água, mas sei lá. Todos estão bebendo café. Tem tantos sabores, cores, formatos de caneca. Tem com doce-de-leite. Tem com canela. Tem com creme ou sem creme, tem com açúcar ou sem açúcar, tem preto e branco, tem com laranja ou com pimenta, sei lá. Quem bebe café tem muitas opções. E mais chances de conhecer pessoas também. Aumenta a sua extensão por assim dizer.

Talvez um dia desses eu pare num café e beba de fato um maldito café. Será a prova final. Veremos.

Texto: F. Garrido