tempão

Ele passou a mão na minha bunda, tô puta.

E não é eu-lírico feminino, é uma citação sem aspas.

O cara tava bêbado, foi tomado por seus hormônios e quis ver melhor aquela tatuagem na coxa. Opa, peguei na bunda. E não é um eu-lírico breaco, é uma nota mental hipotética.

bullshit

O que vale é que o cara passou a ser amaldiçoado na nossa mesa. Balança pra cá, balança pra lá, caiu.

Mas tratar esse “caiu” só como “caiu” é uma maldade. O tempo também tem das suas sacanagens, e sabe muito bem se esticar quando é preciso. Ouvi o primeiro barulho, início da queda. Virei a cabeça pra ver. A partir daí, dá pra contar em uns 5 minutos aqueles 2 segundos e meio que vieram depois.

Ele começou tombando em cima da pilha de cadeiras. Vi a última da fila, parecia que iam cair em efeito dominó. Escorregou por elas, não caíram. O amigo do lado tentava evitar o que já estava acontecendo. Continuou rumo ao chão, bateu a parte do lado do corpo no asfalto molhado e em declive. Bateu o cotovelo. Bateu o copo de cerveja. Uma onda de choque que percorreu todo o seu braço. Deu a escorregadinha matadora. Uau.

Fora o senso de justiça,  vingou a mina que teve a bunda tocada, o tempo tem predileção por quedas. Lembro bem quando costuma jogar bola naquela quadrinha toda pintada de verde no meu prédio. A chuva não podia estragar o gol a gol, diz aí. Mas quadras molhadas são a certeza daqueles hematomas que só servem pra mãe dizer um “eu não disse, menino?”. Continuamos a jogar, como em outras tantas vezes. Uma hora, a bola já tava escapando para o lado do adversário, mas confiei na minha velocidade para correr e chutar antes do meio do campo. Cheguei, cara. Ainda na corrida, apoiei o pé esquerdo, que resolveu não parar. Plim, eu já sabia que ia cair.

Plim, sabia que ia cair, vi meu pé esquerdo voar  pela frente do direito. Passou vazado e deixou meu corpo paralelo ao chão. Tive meu momento ACME, parado no ar, de lado, gente olhando com cara de “deu merda”. A trilha sonora fez aquela gracinha, avisando que eu estava preparado para cair. Pronto, bati de lado no chão molhado, um joelho contra o outro. Minha mãe gritou “eu não disse, menino?”.

Procura aí em outro blog, deve ter essa história sob o ponto de vista do cara que tava assistindo ao jogo. Rir do tombo dos outros é mais divertido.

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