Back to where we were

Passada a vibe “prova de música eletrônica” e a minha raça de final de semestre — fenômeno único ocorrido a cada seis meses em que eu arregaço as mangas e vou pra cima delas pra fazer trabalhos e o que mais for necessário — voltei a ser o mesmo Filipe de sempre, um pouco entediado, bastante preguiçoso e menos estressado, claro. Assisto o Bate-Bola, o Arena. Nice, se pá. Devia estar escrevendo meu TCC? Como diz o Éfe, “não vou mentir”. Mas essa volta às origens, além de me apartar do mundo e me impedir de escrever (não só o TCC, mas no blog também, como vocês podem notar), me fez pensar em algo. Já aviso que será um post típico de Filipe, mais reflexivo e melancólico do que deveria ser. É impressionante como as pessoas se juntam e se separam, e como elas se repelem também. Aí você diz: “Jura por Deus? Achei que todo mundo se amava igual, achei que não existia afinidade e essas paradas, que ninguém se odiasse, que tudo fosse feliz como um single de caridade à la We are the World“. Aí eu respondo: “Não, porra. Não sou idiota. É óbvio aos olhos de todos que as pessoas se dão bem com alguns e se dão mal com outros seres humanos. Mas o ponto é onde entra o tempo nessa história.”

É impressionante como entram e saem pessoas da vida umas das outras, e é impressionante como faz sentido tudo isso. Houve um dia em que a trinca Eu-Éfe-LucasMelo fazia parte de uma dúzia. Foi uma época louca da faculdade: mó galera, vários encontros, bares, narguiles, WinningElevens. Até viagens e ano novo juntos. Fucking nice. Tenho saudades, admito. Mas aí foi dando uma miada. Ou melhor, a gente foi se destacando do grupo. Parecia que tinhámos mudado. Não fazia tanto sentido. Fechamo-nos em três, com o outro Lucas de D’Artagnan. Logo éramos quatro. Então viramos seis: amigas de amigos, faziam muito mais sentido com a gente do que com quem nos apresentou. E assim progredimos.

Essas conexões quase sinápticas parecem fazer parte da vida social de todo mundo. Uns vão, outros vêm. Alguns vão e vêm, sem nunca irem de verdade. Oscilações. Natural. Acho que isso é coisa muito natural mesmo. As pessoas evoluem, suponho. Talvez não evoluam, porque isso prevê melhorias, o que não me parece ser o caso. Elas mudam, trocam de interesse, valorizam outras coisas. Mas seriam essas mudanças estruturais? Porque não me entendo dessa forma. E parece acontecer de novo. Amigos com novos trabalhos, novos desafios. E ficando pra trás.

Outro dia, um amigo daqueles que nunca vão de verdade me disse: “Você é o tipo de cara que não vai ter contato com os brothers da faculdade.” Se pá. — eu disse — Ainda bem que eu faço duas faculdades, assim dobra minha chance”.

É, de fato, muito natural. Diria até impossível de mudar. Nada segura a falta de interesse, que evolui em distância e desagua na perda de intimidade. Nada segura o encantamento com novas pessoas, que passam a fazer muito mais sentido. Mas não sei o quanto isso acontece comigo. Já deixei muita gente pra trás. E sou deixado pra trás. Não acompanho as mudanças, ultimamente.

Éfe Love — cada vez mais Do Amor — disse no bar outro dia “A intimidade nunca volta”. Acho que foi ele que disse, ou um dos Lucas. Eu até acho que volta. Foi o que eu disse naquele momento. Porque na verdade a intimidade é coadjuvante. O que importa é que não há mais porque retomar. Não faz sentido. E, encarando naturalmente, não me vejo no direito de tentar mudar isso aí, até por não fazer sentido. Há quem diga que se deve ligar, encher o saco, ficar procurando. Não é o meu estilo, it’s not the way I roll. Eu prefiro deixar rolar, pra ser natural, como deve ser. E a vida segue até o dia em que você encontra no shopping e passa por trás do pilar.

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One response to “Back to where we were

  1. não vai sumir não, um futebol mensal sempre serve de isca.

    curti bastante.

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