Ode às pessoas queridas

Acabei de assistir INTO THE WILD, que por sinal é um filme absolutamente fantástico. Se eu fosse um daqueles caras que ficam falando “nossa, você não viu? você tem que ver!” e blablabla, eu falaria pra quem não viu ir ver. Mas não sou. Viu viu, não viu vai ficar no plano das ideias. Rá! Enfim. Gostei bastante dessa parada toda, além de planos sensacionais e uma trilha sonora muito das boas, a história toda traz boas reflexões.

Embora nem curta tanto o personagem (que é baseado num cara real e tal), ache ele pretensioso, arrogante e muitas vezes um completo idiota, ele serve como ponto de partida pra discussões bem interessantes.

Duas frases marcantes e interessantes (e não estou colocando elas aqui literalmente e sim do que eu lembro que ele fala):

A felicidade não vem só dos relacionamentos pessoais.

O mano do filme não acredita nisso. Fiquei pensando que embora a felicidade esteja em qualquer coisa que nos faça feliz (dããã), não há felicidade maior que aquela que surge da relação com outras pessoas. Se não estamos aqui para nos relacionar com os outros, qual o motivo? Não que seja impossível ser feliz em meio a natureza ou sentir-se feliz ao deitar na grama molhada ou na areia da praia com o sol batendo em você. Tudo isso é muito feliz, até eu admito.

Mas são coisas muito diferentes. E olha que eu adoro muito ficar sozinho, na minha. Deitar na cama e ficar horas fazendo nada é uma atividade preferencial muito forte da minha pessoa. Mas sem outras pessoas, cara, não rola. O ser humano precisa de pessoas. Claro que no caso do cara, ele se refere à uma parada de viver na natureza e viajar e conhecer lugares. Mesmo assim. Não dá pra viver sozinho em um lugar que tem 6.6 bilhões de pessoas, não?

Não sou a pessoa com milhares de amigos ou pessoas a minha volta, mas as poucas que aqui estão eu tendo a valorizar, porque me sinto verdadeiramente feliz com elas por perto. Antigamente eu era o cara que não ia nos lugares pelas companhias, pouco me importava quem ia, só saía de casa se fosse  algo que me interasse mesmo. Hoje mudei bastante esse conceito e aprecio bastante as boas companhias, não importando tanto assim com a localização. Estar perto de pessoas é algo que não tem muita comparação com outras coisas.

A alegria só é real quando compartilhada.

Qual o sentido em ser feliz sozinho? O bom de ser alegre é espalhar essa parada. Fazer rir é difícil, fazer alguém feliz também é. Mas a alegria e a felicidade são contagiantes, assim como o mal humor também é. Contaminar as outras pessoas com o seu humor é uma coisa muito comum. As pessoas mais próximas sofrem muito com isso.

Então não faz sentido nenhum mesmo guardar a felicidade pra você, até porque é muito difícil conter isso dentro, não? Não dá pra negar quando estamos felizes, senão estaríamos podando a nós mesmos e logo, a felicidade se vai.

Caímos então na questão do estar sozinho e do não depender dos outros. Se a alegria só se torna real, paupável e verdadeira quando compartilhada, precisamos de outras pessoas, sejam elas presenças físicas ou um público de alguma forma. Por isso não acredito em pessoas que falam que sobreviveriam sozinhas ou naquelas que fazem coisas para si mesmas, seja isso textos, fotos, imagens, filmes ou qualquer criação. Se não há um compartilhamento disso então isso não é porra nenhuma.

Então, concluindo: não, mano do filme, nem toda felicidade vem das relações pessoais, mas as melhores, as que valem a pena, as que ficam na memória, vêm sim.

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2 responses to “Ode às pessoas queridas

  1. Tudo a ver.

    E o mais louco no “Na natureza selvagem” é que é o próprio isolamento do McCandless que permite a interação dele com pessoas fantásticas. Acho que o filme brinca com essa contradição no arco do protagonista. Porque curiosamente não é apenas um filme sobre um cara sozinho, mas sobre uma jornada de auto-conhecimento que passa obrigatoriamente por experiências com outros.

    Difícil terminar de ver um filme desses e não pensar nessa porra toda que é viver em sociedade. Mandou bem, F.

    A ode, como o filme, é bem-vinda.

  2. Eu piro demais nesse filme, acho ele fantástico. Minha cena preferida é aquela sequência com o urso, já no final. O cara tá lá, quase morrendo, completamente sem forças, e então aparece esse urso procurando comida, e o cara tá tão fraco que ele nem tenta fugir. Ele só fica olhando pro urso, pensando “é isso, se esse urso quiser me comer, acabou. é inútil resistir”. Mas o urso vem, cheira ele, e vai embora. Sei lá. É simbólico demais. É quase como se ele tivesse atingido um nível maior de integração com essa natureza para a qual ele foge, e que de certa maneira é o motor de toda a história. Esse urso juiz e misericordioso me parece algo mais divino, algo transcendental. Quase como se o cara atingisse uma certa redenção. Não é à to que essa é a última cena antes de ele morrer.

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