“Graças a Deus, né?”

Tenho a impressão que ateus e agnósticos crescem em número a cada dia.

Quando eu era menor, pensava que todo mundo era religioso. Pensava que até eu era religioso, afinal fazia catequismo e primeira comunhão e tudo isso. Tudo bem que isso rolava imediatamente antes do treino de futebol e eu admito que eu pensava mais na belas jogadas que eu tentaria por em prática em quadra do que na ressureição.

Mas depois fui me esquecendo disso, percebi que na real eu não era nada religioso. Entendo que crer em algo superior a todos nós é uma necessidade humana quase inerente a nossa existência. Entendo que acreditar piamente em algo, dar um salto de fé, é a receita para um certo alívio imediato sobre as questões que não sabemos responder, mas ao mesmo tempo é tudo muito sem sentido, bate de frente com qualquer lógica com a qual possa concordar. Não compro a ideia de religião, assim como não compro a ideia dos placebos e dos remédios homeopáticos. E é quando percebemos que tem um monte de gente que pensa igual.

Não quero fazer parte dos que são anti-religião, porque isso é idiota. Mas muito me parece que as pessoas cada vez mais estão de boa com tudo isso. É só uma constatação, uma conclusão que me parece óbvia, mas pode não ser, não sei.

Não tenho problemas com a religiosidade das pessoas, não fico tentando convencer que a Igreja é coisa inventada pelos homens, que ela é mais uma parada de controle de massas que qualquer outra coisa, não prego que todos os padres são pedófilos, que JC não existiu, que estamos sozinhos aqui, nem nada.

Cada um tem a sua fé e ok, assim nós vamos. Mas admito que algumas poucas coisas me incomodam nisso tudo de Deus e o Diabo na terra do sol.

Logo que eu passei no vestibular estava em alguma festa. Era parabéns pra lá, parabéns pra cá, até que alguém me abraça e fala “Ah, você passou no vestibular? Graças a Deus, né?”. Poxa, não sabia que eu canalizava essa parada de O Todo Poderoso em mim. Desculpa ai, mas não foi Deus que marcou A, B, C, D ou E nas cento e poucas questões não. Vou ser pouco modesto dessa vez e falar que esse trabalho foi todo meu mesmo.

É a mesma coisa quando as pessoas te cumprimentam e falam “Amém”. Fico muito sem saber o que fazer nessas situações. Não quero falar “Amém” de volta sendo que não curto a parada. Mas se eu não falo a pessoa pode achar que preciso de um exorcismo ou me achar do mal e mal educado? Sei lá. É tipo quando você encontra alguém e não sabe se cumprimenta com um beijo ou um aperto de mão ou um tapinha nas costas.

Assim como não gosto de estar em igrejas. É tudo muito bonito pra alguns, mas pra mim não rola. Não gosto de vitrais e das cores loucas que eles fazem a luz ficar, não gosto de ajoelhar, sentar e levantar toda vez que alguém em um palquinho me pede para fazê-lo, mas principalmente, não gosto de pessoas crucificadas de 20 metros pintadas sobre a minha cabeça.

Foi mal, J-man, sei que você é O cara aparentemente, mas eu não gosto de ficar olhando pra você, não me leve a mal.

Texto: F. Garrido

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5 responses to ““Graças a Deus, né?”

  1. Vi em algum lugar sobre esseposte vi quefaz tempo que não entro pra lero blog de vcs.
    F, esse texto é mto bom… daqueles que fazem vc ficar concordando com a cabeça durante a leitura. hahahah
    Beijos

  2. efe, esse texto é mó bom mesmo, curti.
    para acrescentar, tenho a dizer que um dia um cara que pedia dinheiro falou shalom pra mim. Como não sabia o que responder, dei uma risada sem graça. E aí veio a melhor parte: “você é árabe?” – não. “Italiano?” também não.

    sobrou pro meu nariz.

  3. Você já leu o livro “A cabana” ?

  4. “Pois bem, eu sou ateu há mais de 40 anos e radical adepto do darwinismo generalizado. Entendo as religiões como frutos da adaptação cultural.”(Eli da Veiga, 2009)
    Concordo em partes com o Mestre Eli da Veiga. Como eu sou levemente contraditória (não é L?), sou da vibe que acredita em energias e td mais. Então não dispenso meu banho de arruda com sal grosso!rs
    Gostei do texto…
    Bjos

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