Esquina, paranoia delirante

Esses dias resolvi cumprir uma das missões que deveriam ser rotina, mas não são. Se moro do lado do trabalho, por que não sair mais cedo e ir a pé? Convicção de que esse é o certo não me falta, assim como também sobra a preguiça, o atraso e mil outros motivos bestas. Nesse dia, fui bancar o coerente e deixei o carro na garagem. Subidinha até o trabalho, 15 minutos, beleza. No caminho de volta, a paranoia era maior. Sei lá, desde os tempos do colégio ativei o modo “atenção para não ser assaltado” sempre que ando por aí. Dá certo? Nem sempre. Já “perdi, playboy” umas vezinhas. Ainda assim, vou rápido e olhando pra tudo que é lado. Engraçado é que na fúria do ver tudo, você tem certeza que também está sendo observado e que pessoas conversam sobre você. Basta estar acompanhado para perceber que o mundo tem mais o que fazer e nem te nota. Sozinho, não. Enquanto tava lá falando comigo mesmo, fazendo os planos de melhor caminho e analisando tudo e todos, ultrapassei uma galera que andava calmamente pelo bairro. Só essa aí que não rolou.
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Ela apareceu na minha frente ainda longe de casa. Como com os outros, tentei acelerar, dar um passo pra esquerda e mandar um “fui!”. Não rolou. Apertei o passo, ela também. Se existe o código de conduta dos motoqueiros, existe também o código de conduta das ruas. Não era coincidência, ela claramente evitava a minha aproximação. É ruim andar com alguém por perto, principalmente fazendo o mesmo caminho que você. Cheguei próximo, ela fugiu, tipo um rato condicionado. Ok, estávamos andando rápido, ela não parecia ameaçadora, fiquei atrás. Seu trajeto era o mesmo da minha casa. Se ela entrou numa de prestar atenção em mim e acelerar o passo, mal sabia que era ainda pior. Não só estava pensando nela, como tirava fotos. Jogo de paranoias. Ou a minha paranoia projetando uma paranoia nela.

Quase aqui no prédio, e já na certeza que tinha gente na rua percebendo que eu tirava fotos da mina, ela virou. Faltava um quarteirão. Virou. Talvez tenha mudado de direção só pra ver se eu estava seguindo. Ou a casa dela era pra direita mesmo. De um jeito ou de outro, quando passei reto no cruzamento, ficou aliviada. Deve ter se sentido besta. “O mundo tem mais o que fazer e nem me nota”.
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Nós estamos certos, cara. Eles estão nos vigiando. Fotos em anexo.

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3 responses to “Esquina, paranoia delirante

  1. hahahahahaha adorei esse post!
    sempre arranjo companhias qdo to andando na rua.
    o mais legal ainda é quando elas estão no mesmo ônibus que você, dai você desce e ela também. vão pelo mesmo caminho, sendo que passam por milhares de outros. o metro, a avenida…mas não, a pessoa se infiltra nas mesmas ruazinhas escuras que eu!
    geralmente nossa ‘amizade’ acaba quando eu entro no meu prédio. elas sempre vão além.

    “Não só estava pensando nela, como tirava fotos.”
    HAHAHAHA RI MUITO

  2. nossa foi mto torto esse meu comentário.
    comecei falando como se fosse você e terminei como se fosse eu. mas deu pra entender né?
    eu escrevi rápido sem prestar atenção, sorry.

  3. Tadinha da mulher perseguida. O panico deve ter sido grande

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