História pa-ra-li-za-do-ra

É isso ai, mais um ano, mais um JUCA, um daqueles jogos universitários. Certa vez alguém disse que era tudo sempre igual, não importa se é da comunicação, da medicina, de direito ou do que seja. É sempre a mesma coisa, os mesmos gritos, as mesmas músicas, o mesmo clima de descontração e histórias semelhantes… Enfim, ele tinha razão.

Mas mesmo assim, vamos que vamos. Estrada, condições inóspitas, frio congelante, falta de lugar pra dormir, pessoas legais, idiotas, pessoas legais bêbadas, idiotas bêbados, os nativos sempre curiosos e aquela integração bizarra.

Sempre digo que vale a pena ir numa dessas paradas. Pra falar que foi. Até que todo mundo se diverte, mas sempre fica um gostinho estranho, pra alguns é de quero mais, pra outros é da certeza de que nunca mais vão participar. Mas pra mim não é nem uma coisa nem outra. Acho uma experiência valiosa de observação.

São pessoas no estado mais bruto possível eu acho. Se alguém começar uma relação numa dessas paradas, possivelmente esse alguém terá tido um preview do que será o fundo do poço e os highlights da sua futura tampa da panela. Mas enfim, não duvido de nada.

Mas como disse, vale como observatório do comportamento humano. Se curte isso como eu vai se esbaldar com cenas das mais peculiares.

Eu vou citar só uma porque ela resume tudo. Arquibancada do ginásio lá, aquela gritaria do inferno, bateria, cerveja, uhu yey. De um lado Mackenzie, do outro Metodista. Um xingando o outro, aquela disputa sadia. Sentei do lado da Metodista, afinal eles são laranjas, cor legal e tal. Ao meu lado um senhor já velhinho, barba por fazer, semi-sujo nas vestes de uma gincana sei lá da onde. A bateria começa seus ritmos e ele começa a sambar de leve com o sacolejar da massa. Ele olha pra mim e sorri. Como se esperando um sorriso em retribuição, um vislumbre de interação de um forasteiro simpático.

“Foi mal, cara, não é com você, mas eu não sou o cara pra essas interações” penso comigo mesmo, virando o rosto pro outro lado, perdendo um pedaço do belo jogo na quadra e evitando o olhar penetrante do bom senhor.

Passa um tempo e vejo um ser chegar e sentar ao lado dele. Bermuda de praia, óculos na cabeça, por cima de um boné e sem camisa. Esteriótipos são ruins eu sei, mas não tinha como o mano não ser de outro lugar senão da distinta faculdade laranja. Paquitão como só ele, já chega oferecendo um gole da sua bebida alcoólica. O senhor dá um belo gole, quase matando a parada e dá um aperto de mão. “Oh, que legal esse menino” deve ter pensando ele. “Oh, que legal interagir com um mendigo” deve ter pensado o sem camisa.

No grupinho do sem camisa uma menina dança alegremente, bradando sua inconfundível camiseta laranja no peito. O sem camisa chega nela e fala “ow, te dou essa cerveja, me dá sua camiseta?”. Por essa barganha acho que ela dava até mais, mas enfim, tirou o manto, ficando só um topzinho esperto e deu pro cara, que imediatamente a repassa pro mendigo, que a veste com orgulho, agora assim achando seu caminho. Vibrando, dançando, sambando e bebendo de todos os copos dos manos do sem camisa.

Ao fim do último copo e do entusiasmo, ele se retira, não sem antes dar um abraço e um aperto de mão no sem camisa, que ri satisfeito. Enquanto isso a menina sem a camiseta e o senhor descendo as escadas enquanto dá o que eu juro ser um último olhar reprovador pra minha pessoa.

Enfim, sempre curioso ver esse tipo de coisa. Enriquecedor? Não sei. Estúpido? Pode ser. Mas continuo sem saber se ano que vem eu vou de novo. A sensação da volta pra casa é muito boa. Não ter que ver o mundo em auri-roxo, só laranja ou só vermelho é legal. Que venham os paquitões e os mendigos daqui então.

Texto: F. Garrido

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5 responses to “História pa-ra-li-za-do-ra

  1. O que diverte mais em verificar o comportamento humano , é perceber que não é o típico fanfarrão que faz coisas estúpidas pra aparecer! O melhor de tudo é que dá pra se divertir as custas de algumas pessoas sem essas se ofenderem.

  2. a melhor parte é:

    o freakin’ é finazzi.

  3. Aliás, pq o Filipe tá se achando hein?

  4. filipe tem fã clube próprio, que gritava no ouvido do treinador pedindo o artilheiro do amor. (eu, efe e osw). não deu certo, mas beleza.

    finazzi tem estilo, desenha a minha roupa.

  5. Pingback: Conquistador de derrotas « ideia sem hífen

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