Escolhe aí e seja feliz?

Outro dia estava num bar quando uma amiga contou uma história sobre a avó dela que tem Alzheimer e o tipo de situações curiosas que isso acaba por criar. Por exemplo quando a conversa se encaminha para os assuntos típicos da atualidade de cada um, tipo namorados, trabalho e afins… Como a doença da senhora está num nível mais avançado, ela não tem mais aquela de memória de curto espaço, então ela, a avó, dá uns cinco conselhos diferentes sobre o mesmo assunto num intervalo de 10 minutos. O pessoal então brincou que aquilo era bom até, assim ela podia pegar o conselho que lhe caísse melhor em determinada situação e seguir com a vida.

Nossa passagem por esse lugar legal é cheio de conselhos, vindos de todas as partes e todo mundo. Nascemos com um filtro intrínseco para repelir coisas idiotas e absorver as interessantes. Claro que esse filtro varia de pessoa pra pessoa, o que as tornam tão diferentes entre si, numa escala de idiotice.

Mas o ponto é que no fim das contas, a vida é como a vovó do começo. Sempre procuramos aqueles conselhos que nos agradam, numa medida ou em outra. Conselhos são como leves empurrões, que nem aqueles que o seu amigo dá quando você está na beira da piscina. Aquela última adição de força cinética que nos faz cair de cara na água gelada é igual aquela última adição de coragem para tomar uma decisão, que na verdade já rodeava a mente.

Isso porque eu sou defensor que as pessoas são reféns das vontades individuais. O ser humano é egoísta. Não existe uma pessoa altruísta 100%, até porque o querer fazer bem pro próximo é fazer isso para buscar uma satisfação pra si mesmo. Pra que mascarar isso de altruísmo então? É meio que uma troca. Eu te ajudo e isso me faz sentir bem, fim da história. Não há crime nisso. Não tem problema nenhum, o mundo é assim e pronto.

Mas eu não acho que todo mundo já tem a decisão na cabeça e o conselho é um mero catalizador dela. Existem pessoas que realmente estão abertas para escutar a opinião dos outros, pessoas que possuem a abstração para ponderar aquilo que ouviu com aquilo que quer fazer e daí sim tomar uma decisão.

Talvez os conselhos foram banalizados, como uma piada usada com muita frequência, sabe? Mais que conselhos, existem hoje opiniões estúpidas somente. E os conselhos, aqueles úteis pontos-de-vista, estão guardados num lugar mais secreto que o nosso dia-a-dia. Quem sabe ele não aparece um dia desses que eu precisar?

Texto: F. Garrido

Ao som de Once In A LIVEtime (Dream Theater)

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One response to “Escolhe aí e seja feliz?

  1. “Claro que esse filtro varia de pessoa pra pessoa, o que as tornam tão diferentes entre si, numa escala de idiotice.” – absurdamente genial.

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