Sampa é redução de palavras

Tudo começou com um convite inocente. Bora pra Benê? Mas bateu pesado. Que mané Benê, filho. Filho não, na verdade irmão, que queria comprar uns pratos novos pra sua bateria e dar um rolê pela praça Benedito Calixto. Irmão que também é especialista em absorver culturas e, apesar de manter um ou outro sotaque lembrando Pernambuco, já tá mais paulista do que qualquer outra coisa. Tanto é que não só aprecia uma caminhada pelo bairro de Pinheiros, na região das lojas de instrumentos, como até já manda um “benê”. E é isso que doeu.

Nós paulistas somos bons nesse negócio de economia de linguagem. Economia mesmo. Pra que usar uma palavra, se as primeiras (ou até só a primeira) sílabas já resolvem? Os nomes ganham logo as versões carinhosas: ma, ju, fa, bru, ne, pa, ta – e nem os mais problemáticos causam dor de cabeça – glória vira gló mesmo (quem liga pro som, que é feio?) e jéssica vai pra jé (quem liga pro som, que é feio?). Depois das pessoas, o mundo. Tudo entra no jeitinho paulista, gente que come na padoca, pega carona com o motora, passeia sussa pelo parque e, se pá, compra umas coisas na Benê. Tomando uma breja.

Os cariocas levam a fama de malandros, do “pa tropi boni por naturê, mas que belê”. O Jorge Ben até que tentou, mas aposto que o arsenal de palavras ia ser maior se tivesse aqui. Além do mais, naturê, boni e pa tropi ninguém fala, teve que inventar. No ranking geral das malandragens porém, o Rio vai estar no topo, só o sotaque já garante, não se preocupem, cariocas. Já em Sampa é onde pega o jeito twitter de ver a vida.

Ouvir uma dessas nossas reduções é doloroso. Depois, incomoda um pouco. Então, vira comum, mas estranho. E logo entra no seu repertório; o tempo vai passar e lá estarei eu falando da benê isso, a benê aquilo. E com a pressa que todo mundo tem (e aumentando), o jeito paulista vai virar obrigação, condição fundamental de conversa. Não vai dar tempo de dizer BENEDITO CALIXTO. Os nomes, como F. Garrido antecipa, vão virar as iniciais. A comunicação vai ser quase um código morse. Duas respiradas e um A, F rolê benê, sussa. Vai ser assim.

– em tempos de correria, o esquema também vai ser nanoblogging, que nem mostra o vídeo.
– “sampa” ofende que nem “benê”.

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5 responses to “Sampa é redução de palavras

  1. Oxe! Danou-se, caba! Agora deu! Tá ca moléstia?! Tá ca mula manca virada no Jiraya? deixe desse seu avexamento pirraia! Se aperreie não que o paraíba aqui é arretado mermo e num se apaulista nem ca gota serena! E aí? Bora na benê? Booora!

  2. Genie In a Bottle, parafraseando a Christina Aguilera!
    Adorei o post. Vc sabe o q eu penso dessa mania de pa tropi”rs
    Bjos

  3. Bruna Petreca

    “Sampa Crew”
    (será q essa é mais uma das coisas q só eu vou lembrar?)rs

  4. Sampa crew é gênio!
    pede pro filipe que ele canta do começo ao fim.

  5. Já em Sampa é onde pega o jeito twitter de ver a vida.

    boa. gostei dessa maneira de ver as coisas.

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