Teia do Clique Louco

Até uns 5 anos atrás eu não tinha nem computador no meu quarto. Não porque eu enriqueci de lá pra cá, mas na época não parecia que fazia muito sentido. Eu tinha entrado na faculdade mas se precisasse usar pra fazer um trabalho eu usava o computador da casa, que fica no quarto do meu irmão. 

Mas ok, minha mãe resolveu me fazer mais um agrado (thanks) e comprou um computador pro meu quarto. Escrevia então os trabalhos no meu quarto, ouvia minhas músicas no meu quarto. Sei lá, tudo meio ok ainda. 

Passou o tempo e daí surge a questão “já que tenho esse PC aqui porque não conectá-lo a internet?”. Bora então correr atrás do roteador pra ver se rola. Receptor wireless e o show todo. Hoje em dia eu tenho um computador, meu irmão tem o dele, meu pai um note e minha mãe um dela também. 

Foda é que quando você se conecta, já era. MSN, torrents, orkut, email, blogs, twitters. Tudo isso vai crescendo e cada vez fica mais fácil se prender na teia dos cliques loucos. São quase 3h da manhã e de produtivo eu não estou fazendo nada. Poderia estar dormindo, mas cá estou. Acabei de ler uma parada muito interessante sobre reanimação, cachorros de duas cabeças e o cacete a 4. 

Estou meio que reclamando da internet, como você pode ver. Mas sei do valor imenso dela. Pelo menos pra mim. Ela é genial no sentido de que ela te dá muita referência e conteúdo. Alguns podem reclamar e falar “mas pra que adianta saber sobre cachorros de duas cabeças?”. No momento, além do fato de ser muito legal e ter vídeos bacanas de 50 anos atrás feitos na URSS, não me serve em absolutamente nada, afinal eu gosto de cachorros e não quero vê-los sofrendo e não sou biológo ou geneticista ou doutor frankstein, mas tenho fé (e uma leve certeza) de que algum dia esse referencial me será útil numa conversa. Vou conquistar a simpatia de alguém com essa referência… ou não, quem sabe?

Como diz uma amiga: “do mal de não ter o que falar você não vai sofrer”. Ok, tudo bem que isso é parcialmente verdade somente, afinal outros fatores te fazem ficar sem falar, mas eu me sinto bem ao encostar a cabeça no travesseiro e pensar “caralho, posso iniciar uma conversa falando sobre os cachorros de duas cabeças, as pessoas vão falar que é mentira, mas eu tenho conhecimento pra falar que é verdade! nice!”.

Tem pessoas que sussa, conseguem viver normalmente sem estarem presos à internet. Não é nem uma questão de tecnologia. E mesmo esses referenciais vão eventualmente chegar a elas, porque os links são foda, cara, eles chegam aonde tem que chegar, acredite em mim. Pode chamar de destino, pode chamar de mundo-tecido, pode chamar do que quiser, mas eles vão chegar. 

Pode parecer pouco pra alguns mas pra mim isso vale alguma coisa. Eu gosto do Seinfeld e sua imensa cultura inútil por exemplo, serviu pra ele pegar a Elaine e umas outras 50 minas durante a série toda. Gosto das Lorelais e suas infinitas referências pop por exemplo. E gosto de ler sobre cachorros, gatos, pessoas, zumbis, todos com duas ou mais cabeças. Mesmo que isso seja idiota agora. 

Acho que resumindo, eu tenho fé nos cliques loucos. Porque se não tivesse eu seria apenas um idiota exercitando minha leitura e minha força do dedo indicador. 

Por isso, valeu, Tim Berners-Lee (a.k.a inventor da internet).

Texto: F. Garrido

Ao som de Grand (Matt & Kim)

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One response to “Teia do Clique Louco

  1. “eu tenho fé nos cliques loucos”… “minha força do dedo indicador”

    Tonico Dedo-Santo

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