o trânsito na época das cavernas

Trânsito é uma aventura. Aqui em São Paulo, então, na hora de dirigir todo mundo volta algumas etapas na escala evolutiva, coloca a faca entre os dentes, liga o som e vai pra floresta como se fosse caçar o mamute. No caso de uma mulher voltando esses milhares de anos, a analogia deve ser algo tipo “selecionar as melhores hortaliças em meio ao campo de espinhos”. O importante é que quando se trata de matar o bicho para alimentar as crianças, gente te atrapalhando pode ser bem estressante. Juntei uns 5 pontos que me irritam no trânsito.

Síndrome do Landau – Com exceção dos felizes proprietários de um Fox, que cabe até as pernas da Ana Hickmann, sabemos que os carros foram encurtando. Aposto que daqui a pouco todo mundo vai conseguir estacionar em 90 graus com a calçada, ou até guardar o possante numa malinha de mão, tipo nos Jetsons. Ainda assim, mesmo pilotando um Ford Ka ou um Mille, tem o cara crente que está num Landau, aquela banheira sobre rodas que ocupava duas faixas de uma só vez (se for aquela estreitinha da 23 de maio, são três). E aí o pimpão segue pelo meio de toda e qualquer rua, não dando espaço pela esquerda, não dando espaço pela direita, e sim muita raiva. Ah, claro, geralmente a velocidade também é a de uma banheira sobre rodas.

Seta Aceleradora – Você tá atrasado, como sempre, mas confia que pode reverter o quadro com as suas habilidades no volante. Trânsito intenso. Olhou pelo retrovisor da esquerda, tem outro carro em velocidade constante. Meio apertado, mas dá pra mudar de faixa. Deu a seta, o que aconteceu? O cara acelera e tira o seu espaço! Pra que, mano? Não sei se para evitar a dor de ser ultrapassado, de achar que está ficando para trás ou sei lá, mas estava tudo bem até você dar seta. Competição – com certeza um ponto chave no trânsito. (a gente sempre quer sair na frente do cara do lado, aposta corridinhas virtuais e odeia quando chega alguém dando seta pra esquerda e luz alta – convenção do “sai da frente” – na estrada).

Medo da multa – A lombada eletrônica é de 50km/h, mas por que não passar a 30km/h pra garantir?

Motora da luz vermelha – um simples toque de leve no pedal do meio e a sua máquina de muitos cavalos diminui a velocidade instantaneamente, fazendo você se sentir o rei dos motores. A luz vermelha é o sinal da consagração. Se pisar no freio é essa experiência egoísta de poder, por que não torná-la mais frequente? Por que não frear na reta, quando não tem nenhum carro/obstáculo na sua frente? Por que não manter o freio apertado durante toda a ladeira? Melhor ainda se você variar o quanto aperta o pedal, gerando aquela mini confusão na cabeça dos que te seguem. Ou dos que te xingam.

Carência automotiva – A solidão que bate na estrada e faz o motorista andar colado no carro da frente. Pode dar alguns problemas se encontrar com um “motora da luz vermelha”. Esses carentes também costumam deixar as manobras para a última hora. Mesmo que tenha visto o caminhão devagar na pista da direita, só muda de faixa quando estiver bem perto – possivelmente precisa diminuir a velocidade e assistir a fila da esquerda passando mais rápido até ter espaço para a ultrapassagem.

como nem tudo é desgraça nessa vida e são as pequenas alegrias que formam a felicidade, simples prazeres no trânsito:

farol alto (piscando) – de noite, cruzamento de duas ruas de pouco movimento: você incomoda sem perder a noção.

redução de marcha – mamute eu nunca matei, mas aposto que não é tão legal. E o carro ainda faz Vuuuuuuuuuummmm.

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4 responses to “o trânsito na época das cavernas

  1. fast and furious … engraçado é quando a pessoa que tá dirigindo o carro em que você está fica bravinha (tipo não entrar na balada, ou não comer o que queria comer, ou sei la) e começa a dirigir loucamente, tentando impor as regras da estrada na cidade. Tipo faixa da esquerda e farol alto. Uhu Yey!
    E dá-lhe freio motor, meu caro…

  2. eu não dirijo. tirei carta de 1ª sem pagar mas não dirijo [só citei esse fato pra me sentir menos pior]. então, não tenho muito oq falar sobre esse post mas desde sei-lá-quando pra ca, como vcs devem ter percebido, eu sempre leio e comento os posts.
    acho esse blog gostoso de ler, meninos inteligentes falando sobre assuntos corriqueiros.

    pq um elogiozinho nunca é demais, né?
    :]

  3. sobre a síndrome do landau, tudo o que tenho a dizer é o seguinte: meu vizinho tem uma coleção deles e, apesar de não terem motor, eles ainda irritam muito pq ocupam mtas das poucas vagas da minhas rua… e ultimamente, só pra variar, ele está com uma veraneio ao lado do meu portão.

  4. rebiscoito fazendo a alegria da galera! como é bom ter frequentadora assídua.

    vou deixar também um comentário do meu pai, que acha que todas as feras do trânsito são as mesmas pessoas que dizem por favor, seguram a porta do elevador e não jogam lixo no chão.

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