Repita comigo: “Não quero ser a putinha arrependida”

Putinha arrependida. Expressão genial. Ela designa … bem, quando somos putinhas arrependidas. “Dei o rabo e não queria tê-lo feito. E agora? Ainda sou virgem?”. Tipo de pergunta que a vadia da classe manda pro Jairo Bauer responder na Folha Teen. Mas a metáfora é boa. Não, não dei o rabo (afinal não cheiro coca), mas disse que não ia em tal lugar mas queria ter ido. Sabe esse tipo de situação? Pois é, todos passamos por ela. 

Será que todo mundo tem consciência que arrependimento é só uma coisa idiota? Eu já fui mais putinha arrependida. Já deixei de ir em lugares por motivos idiotas e exdruxúlos. Já deixei de falar coisas porque sou lerdo. E fiquei remoendo tudo depois. E quanto mais remoía, mas arrependido ficava. Sério, nada é mais idiota que isso. 

Isso porque sou partidário da ideia que fazemos as coisas que temos vontade. Tento explicar: se você tem a opção de ir assistir futebol ou almoçar com a família e quer de fato assistir a porra dos 22 caras correndo atrás da bolinha, você vai fazer isso. Você, seu ser, seu âmago, seu id e seu ego e seu superego vão te levar pra frente da TV. Não há mãe brava, namorada ciumenta, pai raivoso, tia gorda, primo chato ou sobrinho feio que te faça ir no almoço. Nem que sirvam picanha com alho e Heineken gelada pra você.

Se deixar de ver o jogo pra dar o ar da graça no almoço é porque tinha algo que fazer por lá. Ou parte de você queria ir lá de fato. Não acho que fazemos coisas contra nossa vontade. Nem que seja pra agradar alguém. Querer agradar é fazer sua própria vontade, logo ir no maldito almoço não é na real ir contra a sua vontade. 

Deu pra entender com esse exemplo idiota? Acho que não. Fuck it. 

A questão é que eu aprendi a não ser tanto putinha arrependida. F. Garrido 2009 é isso ai. Mas as vezes bate o arrependimento de coisas idiotas. Lembrei de tudo isso porque resolvi curtir um Interpol. E não ter ido nesse show me faz remoer coisas por dentro ainda.

O querido Filipe ficou semanas me dizendo: “Éfe, vamos no show do Interpol. É muito bom. Você vai gostar”. Minha resposta sempre foi não. Porque na época eu não tinha ouvido direito. Tinha baixado 2 vezes e jogado fora (porque eu sou assim pra música, desculpa, ok?), então pra que ir? Descobri a banda uma semana depois do show deles por aqui. Vi vídeos, ouvi os comentários do Filipe, li reviews… Puta show > puta setlist > puta arrependida. 

Me arrependo dessas trivialidades. Porque esse tipo de coisa não se conserta. Não posso chamar o Interpol de volta. Até posso ir no próximo show, mas não vai ser a mesma coisa. Aposto que vão deixar aquela música que eu gosto de fora. E daí a bad vai vir tudo de novo. 

De resto, tudo na vida se conserta. Já dizia o Bloc Party (outro show que eu perdi… mas não fico putinha arrependida por esse):

If it can be broke then it can be fixed / if it can be fused then it can be split / It’s all under control / If it can be lost then it can be won / if it can be touched then / it can be turned / All you need is time

Então, deixar os arrependimentos de lado é o que há. E ir nos shows que der pra ir. Esse é o ensinamento da vez. 

Texto: F. Garrido

Ao som de Our Love To Admire (Interpol)

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2 responses to “Repita comigo: “Não quero ser a putinha arrependida”

  1. É por essas e outras q no próximo final de semana vamos “apavorar” no maxi-rock! hahaha… Afinal, ñ existe pílula do dia seguinte p/ arrependimento… então, melhor não vacilar.

    F, quando lancei a expressão “putinha arrependida”, no ato, eu mesma, fiquei uma putinha arrependida, achando q tinha sido muito chula, e nem éramos super íntimos…rs. (típica situação em que eu queria que as palavras fossem palpáveis, p/ eu poder pegá-las de volta! Mas t.u.d.o beeem… hj vc já está “all in” – p/ compor c/ a putinha arrependida…HAHAHA)
    E a sua explicação do emprego dela foi tão autoral, q até fiquei em dúvida se tinha sido eu mesma q lancei, ou vc! hahahahahaha… “Sou eu, ou sou vc?” rs. É o caráter comentarista agindo em seu favor!

    Mas sabe o q? Talvez essa expressão esteja precisando de um reload… pq a putinha arrependida é p/ situações do tipo “comi e não gostei”, mas será q ela é a melhor expressão p/ quando bobeamos? P/ quando agimos de menos e pensamos demais? Ressaca pelo porre que não tomei é uma coisa q não dá! Virgenzinha arrependida nem é tão legal, e ñ sei se já contei a história do “carregando a velhinha” p/ poder usá-la… bom, talvez não “tenha que” rever nada. Se a necessidade criar a oportunidade, ela surgirá tão espontaneamente quanto “pintou a putinha” ;)(

  2. Eu fiquei meio assim com o show do Kiss. Mas foi uma sensação putinha arrependida apenas quando li os reviews, depois passou, rsrs.

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