Tchau, Cléo

É altamente mongol, mas eu tinha certeza que inventariam uma máquina do tempo antes de eu morrer. Não certeza, mas pensava “po, não deve estar tão longe assim de inventarem esse negócio. Tem sei lá quantos milhões de cientistas no mundo estudando isso, é só descobrirem o capacitor de fluxo ou qualquer que seja o correspondente no mundo real dessa merda e pronto.”

Quando eu era pequeno, fazia mais planos. Do tipo “quando eu voltar pro Brasil do século XIX, não posso esquecer de levar açúcar”. Açúcar valia mais que ouro, logo, com uns saquinhos de açúcar União eu seria milionário. Nem ocupa tanto espaço pra levar, o custo-benefício é gigante. Arrumo alguma caipira gostosa pra casar, recebo uns latifúndios do pai dela como dote e faço meus descendentes serem donos do Brasil. Se pá dou uma anexada em outros países, arredondo o Tratado de Tordesilhas, sei lá.

Até hoje, em alguma parte da minha mente, sobrevivia um pensamento de “eu ainda vou refazer umas paradas históricas hehehe.” Mas agora não mais. Pensando sobre o tempo numa aula, destruí meu próprio sonho. Pensa: se uma máquina do tempo fosse ser inventada no futuro, a gente já teria visto alguém do futuro. Com certeza algum idiota voltaria pra ver como foi a presidência do Lula, a eleição do Obama, o hexa do São Paulo ou algo assim. Mas não! Todos os idiotas que eu já vi pareciam do presente mesmo.

Obviamente eu tô falando da ideia mais pop e legal de viagem no tempo. Elaborando mais um pouco, se vierem mesmo a inventar uma máquina do tempo, ela provavelmente vai precisar de duas “pontas”, e uma máquina em cada ponta. Uma no seu tempo de origem, onde você vai entrar, e uma no tempo de destino, pra você sair.

Só que me diz, qual é a graça dessa merda? A cagada já vai estar feita. Não vai dar pra conhecer nenhuma das pessoas legais da história, ou ver como foram os dinossauros de verdade. Fora que no segundo em que apertarem o último parafuso da máquina, já vai ter uns pangarés chegando do pós-futuro pra encher o saco, salvar a Terra do apocalipse, dar a cura do câncer ou algo do tipo. Então é melhor que nunca inventem nada mesmo, não vale o esforço.

Pois é. Deus é um cara cruel que aparentemente não vai permitir viagens temporais, tenho que me conformar com isso. Mesmo assim, fico na bad em saber que nunca vou ter respostas pra algumas perguntas mongas do meu eu-juvenil. Por exemplo: Einstein era tão gente boa quanto a aparência dele sugeria? Sempre tive um feeling que o Hitler no fundo curtia os judeus; tô certo? Se eu tivesse direito a só uma viagem “com segundas intenções”, o que valeria mais a pena? Catar a Marilyn Monroe ou arriscar a Cleópatra? Ela era nice mesmo ou só uma baranga que o povo endeusava, tipo a Juliana Paes?

Tristeza não poder saber isso.

Albert e eu, festa do Nobel, 1935

Albert e eu, festa do Nobel, 1935

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