Pau no cu

A primeira vez que ouvi a expressão “vamos deixar de ser pau no cu” foi quando eu tentava dormir e o amigo batia a cabeça insistentemente contra a porta do quarto.

Aquele choque inicial, de acordar do sono leve ouvindo esse tipo de coisa, mas ok. Passa 2 segundos e você já tá falando isso também, porque eu descobri que ela resume muito a vida das pessoas.

Tipo, por que reclamamos tanto? Não sei o que esperamos que a vida de fato fosse e acho que nem sabemos o que queríamos que ela fosse. Eu me satisfaço atualmente com as coisas simples, muitas delas bobas e idiotas, os momentos de risandinhas e coisa e tal. Me satisfaço e muito, devo dizer.

Me satisfaço com as amizades (novas e velhas), me satisfaço com as demonstrações espontâneas de afeto, com os emoticons leprosos, com as auto-fotos cortadas com sorrisos peculiares, com MMS trocados compulsivamente, com House e com Entourage, com os carinhos universais, com cheiro de shampoo, com as discussões eternas sobre futebol, …

Me satisfaço em perder/ganhar 2 horas da minha vida tentando descobrir alguma coisa sobre um dos maiores anônimos da cidade, o grande Carlos Adão…

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… me satisfaço em perder/ganhar 5 horas da minha vida vendo o movimento decadente do Filial, tentando ver quantos descansos de copo cabem no bolso do F.i…

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… me satisfaço baixando 5 gigas de música num único dia e colocando capas, letra, ano e o cacete a quatro no arquivo.

Sei lá… isso basta? Não sei, até acho que não, mas não posso reclamar também. Simplesmente não posso. Passar de carro e viajar na pichação do Carlos Adão sem me preocupar se vou receber o salário atrasado pode ser um step forward a caminho de um maior auto-entendimento? Talvez.

Pode ser também que esteja naquele período em que penso que tudo eventualmente vai dar certo. Mas já passei uns meses pensando que tudo ia acabar na merda também. Tudo é cíclico. Até o São Paulo ser campeão todo ano. Um dia a magia acaba. Assim como um dia a magia do Carlos Adão sobre a minha pessoa vai acabar e eu vou ficar na depressão pensando “cadê meu dinheiro, porra?”.

Enquanto esse dia não vem, ser feliz aos poucos é o lema. Sem ser pau no cu, sem reclamar da minha vida e das minhas escolhas, reclamando das coisas idiotas do mundo, que são muitas… e só tentando ter uns dias e umas noites decentes, como diz a música abaixo ai. Ouve aí, é legal.

Texto: F. Garrido

Ao som de “Decent Days And Nights” (The Futureheads) – tocando no repeat


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3 responses to “Pau no cu

  1. Uma das características mais adoráveis do F é a perspicácia ao empregar “piadinhas” e referências em contextos inusitados… Revisitando o então condenado ao previsível. F sempre me surpreendendo. Quanto amor!

    Satisfação: tai uma coisa de volatilidade altíssima. Sábio o Petreca-pai, sempre enredando: “a insatisfação move o homem”. Pensando aqui, F, talvez não haja problema em saber que algo que te satisfaça hoje, não mais o fará amanhã (opless!). Quem sabe fosse o caso de preocupar-se com o movimento contrário, permanecer satisfeito, que poderia corresponder a comodismo e estagnação?

    Vejo aqui uma relação forte com teu outro texto, o das expectativas… Vadias! Sim, elas são imensamente responsáveis por nossas insatisfações. Sempre penso que o dia em que a insatisfação não configurar motivo de rompimentos, mudanças bruscas, transgressões, etc., neste eu serei sublime! (rs). Quando aceitar e ver beleza nas coisas/pessoas, na maneira como elas se apresentarem: reconhecimento (= aceitação da legitimidade; ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira; gratidão; verificação)! “Ser feliz aos poucos” é uma escolha, acertada, desde que não nos apeguemos às reverberações ocasionadas pelos atos em busca da felicidade presente. Se conseguirmos isso, em partes (supor o todo seria audacioso!), teremos muitos momentos felizes!

    Foi a “felicidade aos poucos” que nos aproximou, se lembrarmos bem. Tudo começou com as sextas-feiras felizes… Que aos poucos se estenderam a outros dias da semana, hahaha… E hoje a felicidade não marca hora ;)(
    Rendidos pelas risadinhas, possuídos pela diversão… Assim, temos nosso aconchego do manjericão… even if we’re falling apart (especial p/ o leproso…hahaha).

    Bem, tudo que já disse me dispensa de quaisquer demonstrações espontâneas de afeto… a não ser que você queria um brinde! Hahaha

    Beijo da Brrr

  2. interessante ler vc falando sobre essas coisas, f

  3. Manow, baixa musicas, coloca capa e os cacete a quatro como voçê mesmo disse e estranho ou tempo perdido, mais cai entre nois quando eu procurei saber quem era Carlos Adão eu achava que era alguem importante…

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