Malandro, que preguiça!

Eu confesso que não sou um trabalhador por natureza. Sou meio preguiçoso. Não que eu não faça os meus deveres. Eu sempre os faço muito bem, embora tenha clareza de que poderia sempre fazer melhor se limasse a preguiça da minha equação de esforço e dedicação. Mas, como disse, não sou aquele cara que levanta da cadeira e pensa: “é agora que eu vou fazer as coisas como elas devem ser e não vou passar aperto no final”. Deixo tudo pra última hora. É foda. Na faculdade, sempre passava os dias 27, 28 e 29 de junho fazendo uns 10 trabalhos gigantes. É o preço que se paga pela preguiça imperando do dia 20 de dezembro até o 27 de junho.

Mas sei lá, viver na preguiça não é que nem estar de férias. Sempre fica na cabeça, bem no fundo, aquela vibe negativa do “uma hora ou outra tenho que fazer isso. Eu devia fazer agora”. Isso é uma merda. E todo ano eu quero mudar. Mas todo ano eu tenho preguiça de mudar. E aí, além de ficar apitando na cabeça tudo o que eu tenho que fazer, fica apitando que eu devia começar a mudar isso também. E daí a preguiça começa a ser o oposto das férias. Se pá viver na preguiça é pior do que fazer as coisas ‘direito’. O pior é que você se sente seduzido a continuar na inércia do mundo, por pura preguiça. E também porque você já ta fudido mesmo. Fudido e meio tá valendo.

O próximo passo é a auto-depreciação. Você começa a se achar um grande lixo que não faz nada. Troca as noites pelos dias. E aí não importa que você faça outras coisas. O que começou isso tudo não está sendo feito, e tudo continua a apitar por causa disso.

Existiu um dia, bem recente, aliás, em que eu não trabalhava. Já quase não estudava também. Tinha uma aula por semana, e ainda era várzea. Eu estava em um estágio avançado dessa vibe preguiçosa e já me sentia um lixo. Juntei-me então a um grande amigo meu, que na verdade é da minha família. Eu dormia na casa dele umas 3 vezes por semana. Ele também não estava fazendo quase nada. A gente ficava trocando idéia. Tomando uma cerveja, às vezes. Eu ia dormir de manhã, e acordava à tarde. Osso.

Comecei, então, a querer mudar essa situação. Entrei no francês, voltei a estudar guitarra. Entrei nos times de futsal e futebol de campo da faculdade. Entrei na academia. Continuava a dormir de manhã e acordar à tarde. Ia pra academia, depois pro treino, quase diariamente. Tinha as aulas. Estudava depois. Fazia coisa pra caralho, todo dia. Mas minha cabeça ainda apitava. Eu não estava fazendo nada.

Depois de mais de seis meses assim, comecei a trabalhar. Continuei a fazer uma matéria por semestre, mas ainda não me formei. Entrei em outra faculdade. Agora são duas. Ainda vou 5 vezes por semana na academia. Ainda treino 4 vezes por semana. De brinde, jogo uma pelada descontraída. Ainda faço as aulas. Ainda sou preguiçoso, mas acabei com a primeira etapa do apito intrahead. Conseqüentemente, todas as outras etapas que eu já havia arrumado sumiram. Agora, no contexto social mundial, não sou um preguiçoso. Sou um trabalhador. Oficialmente. Tô tranqüilo. Às vezes durmo de manhã e acordo à tarde, mas trabalho e faço o que eu tenho que fazer. Faço bem, mas sei que podia ser melhor. Pelo menos, todo dia eu penso: “Puta que pariu, eu faço coisa pra caralho”.

sol a pregrissa hehe

sol a pregrissa hehe

F.i

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One response to “Malandro, que preguiça!

  1. Finazzi é gênio…

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